Cerca 700 mototaxistas atuam informalmente no transporte de passageiros em Porto Alegre

Cerca 700 mototaxistas atuam informalmente no transporte de passageiros em Porto Alegre

Categoria pede a regularização da profissão baseada na legislação nacional

Cláudio Isaías

Categoria pede a regularização da profissão baseada na legislação nacional

publicidade

Cerca 700 mototaxistas atuam informalmente no transporte de passageiros em Porto Alegre, mesmo que a atividade ainda não tenha sido regulamentada pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). O presidente do Sindicato dos Motociclistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindimoto/RS), Valter Ferreira, disse que pelo menos 30 profissionais tem a identificação específica ligados ao sindicato prestam o serviço na cidade de acordo com a lei federal 12.009 de 2009.

Para o exercício da profissão, o condutor deve ter pelo menos 21 anos, possuir carteira de habilitação há mais de dois anos na categoria, ser aprovado em curso especializado, ter placa vermelha e estar vestido com colete de segurança dotado de dispositivos retrorrefletivos.

Ferreira voltou a ressaltar que a categoria se ampara em legislação nacional para pedir a regularização no município. Segundo ele, os mototaxistas possuem como base os bairros Sarandi, Bom Jesus e na avenida Baltazar de Oliveira Garcia, na zona Norte da Capital.

O primeiro ponto oficial de mototáxi em Porto Alegre foi a sede do Sindimoto/RS, na rua Itaboraí, no bairro Jardim Botânico, na zona Leste da Capital. Segundo Ferreira, o serviço poderá gerar cerca de oito mil empregos diretos e os mototaxistas informais naturalmente farão a regularização para poder trabalhar.

“O sindicato estima que 23% dos condutores que atuam no serviço de mototáxi e de tele-entrega na cidade não tem carteira de habilitação. Esse problema também seria resolvido com a pessoa buscando atuar dentro da lei", destacou.

Caso a EPTC regulamente o serviço em Porto Alegre, a proposta é que os mototáxis tenham a cor amarela e os mototaxistas sejam identificados com coletes. Os mototaxistas utilizam coletes com identificação profissional e os passageiros recebem uma touca descartável antes de usar o capacete. No colete dos mototaxistas, duas alças laterias servem para que o passageiro se segure no motoqueiro e auxiliam na segurança.

O serviço começou a funcionar em Porto Alegre em maio de 2017. Um levantamento do Sindimoto/RS aponta que dos 700 mototaxistas, cada um realiza uma média de 15 corridas por dia, o que daria uma renda de aproximadamente R$ 120. O serviço, segundo o Valter Ferreira, é um sucesso entre os usuários nas cidades de Goiânia e Campo Grande, e também em alguns municípios gaúchos, como Canoas, Novo Hamburgo, Pelotas, Rio Grande e São Gabriel.

Mototaxista de Canoas:  "90% dos meus clientes são do sexo feminino"

Com 18 anos de atuação na condução de motocicletas, o mototaxista Jadir Carvalho, 38 anos, afirmou que o serviço é uma grande alternativa para quem está em busca de emprego. Com atuação em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, há dois anos, o condutor disse que nunca se envolveu em acidentes de trânsito.

"90% dos meus clientes são do sexo feminino", explicou. Carvalho disse que realiza uma média de 20 corridas por dia no período do verão e que transporta jovens, mulheres e idosos. Ele realiza corridas nas cidades de Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, Porto Alegre e Novo Hamburgo.

"Tenho uma cliente que busco todos os dias no Hospital Nossa Senhora Conceição em Porto Alegre. Ela optou pelo serviço em razão da rapidez nos deslocamentos", explicou.

No inverno, conforme Carvalho, o serviço apresenta uma queda no número de passageiros: um total de dez pessoas são transportadas diariamente. O mototaxista afirmou que leva pessoas para consultas médicas, para cursos, para a escola e para o serviço. Ele anunciou que para breve deverá ser inaugurada a primeira base de mototaxistas em Canoas, provavelmente na região do Centro da cidade.

Ele explicou que respeita os limites da velocidade da via, no caso 60km/h, e deixa isso claro para o cliente e oferece aos passageiros um capacete e uma touca. Uma corrida mínima tendo como ponto de partida, por exemplo, a cidade de Canoas até o Parque de Exposições de Esteio, custa R$ 5 mais um R$ 1 por km.

Carvalho disse que resolveu colocar na motocicleta o seu nome e o número do seu telefone para que os clientes saibam o nome do profissional que o está transportando. Ele resolveu adotar também a cor amarela que é utilizada pelos táxis da cidade de Canoas.


Mais Lidas

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895