Com cara de óleo, lama em Nova Tramandaí era, na verdade, sobra de uma lagoa

Com cara de óleo, lama em Nova Tramandaí era, na verdade, sobra de uma lagoa

Vestígios preocuparam visitantes e moradores da região

Christian Bueller

Manchas escuras na faixa de areia chamaram atenção dos moradores

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O verão terminou, mas o Litoral gaúcho ainda recebe visitantes que buscam a calmaria das praias, seja para descanso ou para fugir das aglomerações do mundo urbano em meio à pandemia. Com casa em Nova Tramandaí há seis anos, o militar da reserva Ronildo Franco voltou recentemente à orla e, durante um passeio, percebeu manchas escuras na faixa de areia que o impressionaram. Ele até chegou a pensar que se tratava de algum tipo de produto similar a óleo.“Era muito estranho, parecia ser algo da Petrobras. É macio, parece borracha. Inclusive, se você pisar corre risco de cair, pois é muito liso, tipo sabão”, lembrou Franco. Segundo ele, o fenômeno já vem aparecendo já há algum tempo. “Na última semana, aumentou, inclusive, com vários pedaços na área de areia”.

Moradores e visitantes podem se tranquilizar, pois as manchas não se tratam de óleo. Segundo o Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar), os vestígios eram, na verdade, o que sobrou de uma lagoa que existia há cerca de seis mil anos na região e que, atualmente, é a faixa de areia. Com a ação constante de ciclones e ressacas do mar cada vez mais intensos, o barro fica exposto em determinados períodos do ano. No ano passado, após o ciclone-bomba, que atingiu o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, os sedimentos voltaram a ficar expostos, o que se repetiu nas últimas em Nova Tramandaí. Os primeiros registros são da década 1960.

O que são as manchas escuras que apareceram na Beira-Mar? 🧐 Durante as últimas semanas recebemos em nossa página...

Publicado por Prefeitura de Tramandaí em Quarta-feira, 5 de maio de 2021

A Secretaria de Meio Ambiente da cidade praiana até postou uma nota em suas redes sociais para esclarecer o fenômeno. Segundo a nota, os eventos meteorológicos causam a “erosão da faixa de praia, fazendo com que porções mais superficiais floresçam, geralmente na porção do mesolitoral, próximo a zona de varrido das ondas, em locais onde há ocorrência deles. Ou seja, é normal a aparição deste tipo de material nesta época do ano e não se tratam de hidrocarbonetos (petróleo)”.

O capitão Rogério Silva dos Santos, do Comando Ambiental da Brigada Militar em Tramandaí, despreocupa os receosos. “Não recebemos nenhum chamado sobre isso até porque os pescadores da região já sabem que são sedimentos da própria natureza e aparecem mais em épocas de frio e de ressaca. Já tivemos vazamentos de material químico no mar outras vezes e é diferente”, explica.

A dúvida, segundo o comandante, se dá mais nos leigos ou pessoas que não frequentam tanto a praia nesta época. “Com a pandemia, vieram mais pessoas para o litoral, e muitas não têm o conhecimento ou não estão acostumadas a isso”, concluiu. A formação da lama, inclusive, chegou a apelidar Nova Tramandaí de “Barro Preto” há algumas décadas.


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