Elevação do nível do Guaíba deixa em alerta moradores da região das Ilhas

Elevação do nível do Guaíba deixa em alerta moradores da região das Ilhas

Construção da nova ponte acentuou os problemas da região e impactou a logística de barcos

Por
Felipe Samuel

O nível do Guaíba saltou de 1,91m para 2,06 metros em 48 horas


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Quem passou nesta quinta-feira pela BR 116, no sentido Porto Alegre-Eldorado do Sul-Guaíba percebeu uma elevação do nível da água próximo da parte baixa das obras da nova ponte do Guaíba. 

Segundo a MetSul Meteorologia, os primeiros alagamentos nas ilhas de Porto Alegre devem começar nesta sexta-feira. O prognóstico é que o nível do Guaíba deverá subir muito mais que os 2,08 metros atuais e o pico da cheia ainda levará dias, devendo ser de grandes proporções e potencialmente histórico. O nível do Guaíba saltou de 1,91m para 2,06 metros em 48 horas.

Na sede da Sociedade Ginástica Navegantes São João, localizada na Travessia Engenheiro Régis Bittencourt, próximo à BR-290 e à nova ponte do Guaíba, a elevação do nível das águas do Jacuí ontem já obrigava funcionários a levar móveis e equipamentos para locais mais seguros. De acordo com o presidente da entidade, Juceraldo Barbosa Vargas, a construção da nova ponte do Guaíba com altura menor do que a da ponte antiga acentuou os problemas da região e impactou a logística de barcos.

Conforme Vargas, os problemas enfrentados pelos moradores da região com as enchentes se repetem a cada ano. Ele destaca que o clube náutico "perdeu" quatro veleiros porque não podiam sair para o lado da ponte antiga, uma vez que a marina ficou no centro das duas pontes. Vargas afirma que 60 anos depois "fizeram uma ponte mais antiga que a outra". "Barcos veleiros e embarcações maiores já não passavam na ponte antiga. Agora menos ainda, porque ficou mais baixo", alerta.

Ao longo dos anos, antes do início das obras, Vargas garante que representantes locais participaram de reuniões com Dnit e Fepam e alertaram para os problemas que poderiam ser provocados com a construção da obra em altura inferior à outra. "Teve impacto importante no sul da ilha do clube, onde tem moradores antigos. Se der incêndio o caminhão não passa por lá, onde no verão sempre acontecem queimadas. A ponte não chega 2 metros de altura naquele local, por isso que o mínimo que tinham que ter feito era uma do mesmo tamanho da outra", frisa.

Acostumados a lidar com os efeitos de enchentes, Vargas afirma que muitas vezes o local serve de abrigo para os moradores da ilha atingidos pelas águas. "Em momentos de calamidade, sempre acolhemos o pessoal. Quando falta água, por exemplo, conseguimos água tratada", compara. Desde 2018, quando a situação veio à tona, o Dnit vêm afirmando que não há risco de a ponte, de cerca de 200 metros de extensão, ser afetada por uma cheia.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) reitera que não há risco do nível do Rio Guaíba atingir a nova Ponte do Guaíba. De acordo com estudos realizados pelo DNIT, com base nos relatórios elaborados pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a estrutura atende aos parâmetros de segurança exigidos e não compromete a travessia.


Conforme a análise, o valor de referência da cota da cheia para um período de 100 anos nas imediações da elevada questionada é de 3,17 metros e, considerando que a cota da viga em questão é de 3,66 metros, comprova-se uma folga de 49 centímetros entre o fundo da viga e o nível máximo provável da água.