Em meio à pandemia, RS encerra surto de sarampo

Em meio à pandemia, RS encerra surto de sarampo

Último registro da doença no Estado ocorreu em abril deste ano

Brenda Fernández

Último caso da doença ocorreu em abril deste ano

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Desde o mês de abril de 2020, o Rio Grande do Sul não registra novos casos de sarampo em solo gaúcho. Até 13 de junho deste ano, foram 37 casos confirmados da doença, sendo o último paciente contaminado no mês de abril. Passado o período de 90 dias, a Vigilância da Saúde do Estado considerou encerrado o surto de sarampo no Estado. No ano passado, foram 101 casos confirmados e 789 suspeitos da doença – que é evitada com aplicação de vacina na rede pública.

Ao passo que os profissionais da saúde concentram esforços para combater o coronavírus, a atenção também está voltada às outras patalogias, destacou a técnica da Vigilância estadual da Saúde, Juliana Patzer. Ela lembrou que transmissão do sarampo, que ocorre por meio da tosse, espirro e da fala, é tão ou mais facilitada quanto à da Covid-19. "Em uma sala com dez pessoas e eu entro com uma pessoa confirmada pela doença, destas nove correm o risco de serem contaminadas", exemplificou.

Desta forma, a maior medida de controle para a contaminação é saber identificar imediatamente um caso suspeito. O sinal para a identificação de um paciente é a combinação de três sintomas: febre e manchas vermelhas pelo corpo, acompanhado de tosse ou coriza ou, ainda, conjutivite. 

Cobertura vacinal caiu nos últimos anos

O principal modo de evitar uma possível epidemia de sarampo é a vacinação, neste caso a vacina Tríplice Viral. No entanto, historicamente a cobertura do imunizante é baixa no Brasil. O ano de 2016 foi um marco na saúde pública nacional. Neste ano, o Brasil conquistou o reconhecimento internacional após a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) ter considerado o país livre do sarampo. Mas, de lá pra cá, o Brasil não alcançou mais a meta de imunização ao vírus. Enquanto o objetivo da campanha é vacinar 95% da população, nos últimos quatro anos esse índice ficou entre 90% e 92%. 

"Em relação à pandemia, a gente ainda não consegue medir esse impacto na cobertura vacinal. Mas estamos fazendo um trabalho com a Atenção Básica reforçando a importância da manutenção desta vacina neste período, seguindo as medidas de proteção ao Covid-19", destacou Juliana Patzer.

Paraná e Santa Catarina acumulam casos em 2020

Ela evitou, contudo, um clima de vitória e reforçou que, apesar do surto encerrado no Estado, o país continua em surto e, por isso, em alerta com mais de 7 mil casos entre janeiro e julho deste ano. No recorte regional, o Paraná já acumula mais de 300 casos e Santa Catarina com mais de 100 casos neste ano. 

Em 2019, a maior concentração de casos de sarampo foi na faixa etária de 15 a 29 anos. "É aquela faixa etária que muitas vezes já não tem mais a carteirinha, não sabe se foi vacinado ou não. E é a faixa etária que precisa de duas doses de vacinação contra o sarampo", lembrou a técnica.

Hoje, a vacina Tríplice Viral é disponibilizada no sistema público a partir dos seis meses de idade até os 59 anos. De seis a 11 meses é uma dose considerada "extra", implementada no ano passado em razão do crescimento de casos. Depois, de 1 aos 29 anos, toda pessoa tem que ter duas doses da vacina na carteirinha e de 30 a 29 anos uma terceira dose. O programa nacional de vacinação só considerada vacinada a pessoa que apresentar o registro do imunizante. Caso contrário, precisa refazer a aplicação.


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