Emergências destinadas a adultos têm superlotação em Porto Alegre

Emergências destinadas a adultos têm superlotação em Porto Alegre

Maior índice de lotação entre os hospitais é de instituições de saúde da Santa Casa de Misericórdia

Felipe Faleiro

Emergência do GHC

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Todas as seis emergências hospitalares, destinadas a adultos, de Porto Alegre, monitoradas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) estão lotadas nesta quinta-feira, de acordo com o Painel de Monitoramento da secretaria. O índice médio de superlotação no período da manhã considerando UPAs e hospitais estava em 167,90%, ou 455 internados para 271 leitos. O maior índice verificado é entre os hospitais na Santa Casa de Misericórdia, com 250%, ou 60 pacientes em atendimento para 24 leitos.

Já o maior entre as UPAs era na Bom Jesus, que registrava 414,2% de lotação (29 internados para sete leitos). A situação preocupa as unidades de saúde, considerando que estamos ainda no início do inverno e a umidade extrema tem sido frequente nos últimos dias, tendência esta que deve se repetir nos próximos. Na própria Santa Casa, por exemplo, o cenário foi descrito como “bem complicado”. Na quarta-feira, havia 51 pacientes, ou seja, a situação piorou de um dia para o outro.

A advogada Kamila Rafaela, moradora do bairro Cristal, foi uma das que precisou ir à emergência na semana passada devido a sintomas gripais. De acordo com ela, a causa foi a mudança de clima, que afetou sua saúde. “Quando o tempo virou, na véspera do feriado de Corpus Christi, já senti que minha garganta começou a fechar. De quinta para sexta-feira, acordei muito mal, mas fui trabalhar. No dia seguinte, tive meio que dormir sentada, porque já estava sentindo o nariz entupindo e não conseguia respirar direito”, conta.

Ela também relata que começou a perder o paladar e olfato, fez o teste da Covid-19 em uma clínica vinculada ao plano de saúde, mas o resultado foi negativo. Por isso, ela não precisou cumprir a totalidade do atestado de sete dias fornecido durante consulta médica. “Tenho muita tosse, catarro e congestão nasal. Para dormir, só com remédio no nariz. Mas estou melhor do que antes”. Casos como o de Kamila não são incomuns em períodos frios e úmidos.

No entanto, na visão do médico infectologista André Luiz Machado, do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), não há uma relação direta entre o aumento de pessoas na emergência da unidade com a ampliação do número de internações de pacientes com doenças respiratórias. “Existe um somatório de condições que acabou colapsando o atendimento no setor, que passa também desde pacientes com doenças crônicas agudizadas, como cardiovasculares maltratadas, e isto é reflexo de indivíduos que ficaram sem assistência adequada no período da pandemia”, diz.

Conforme ele, a diminuição da temperatura causa aumento nas taxas de infecções respiratórias, não necessariamente a Covid-19, mas também outras, como asma e enfisema. “É um somatório de situações que acaba sobrecarregando o sistema de saúde, principalmente emergências”. O diretor de Atenção Hospitalar e Urgências da Prefeitura de Porto Alegre, Francisco Isaías, ressalta que a pressão sobre o sistema de saúde é resultado do aumento da circulação de outros agentes infecciosos.

Não apenas o coronavírus, mas, por exemplo, influenza e o vírus sincicial respiratório, que geralmente afeta mais as crianças. Consequência, entre outros fatores, da diminuição do isolamento. “Estamos monitorando este aumento excessivo desde meados de abril. E esta normalidade da vida social faz com que estes vírus aumentem muito sua circulação”, afirma. O aumento das doenças cardiovasculares nas baixas temperaturas também é um fator dito por Isaías.

“Apesar de termos uma rede hospitalar muito bem organizada, estamos sofrendo uma pressão similar à dos picos da pandemia. Só que, nela, tínhamos apenas um agente circulando, e agora, são outros". Conforme ele, Porto Alegre tem 4,3 mil leitos contratualizados com o SUS, e a ideia é, nos próximos dias, ampliar este número, “para podermos dar vazão a este fluxo intenso de procura”, afirma o diretor.

Ainda segundo ele, outros municípios da Região Metropolitana representam 20% dos pacientes nas urgências e emergências de Porto Alegre. “Há um esforço da Secretaria Estadual da Saúde, mas, se as estruturas das cidades vizinhas estivessem dando sua resposta, a situação poderia estar um pouco menos dramática. Todas as equipes da secretaria estão envolvidas com a melhoria contínua da resposta assistencial, e neste esforço de acolher bem a nossa comunidade e de outras cidades, às quais somos referência”.

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Você também pode buscar atendimento, das 18h às 22h, em uma das 13 unidades listadas abaixo que possuem turno estendido. Esses locais não são referenciados por território, ou seja, você poderá se dirigir a qualquer uma destas unidades independentemente do seu local de moradia:

Clínica da Família Álvaro Difini

R. Álvaro Difini, 520 – Restinga

(51) 4076-5011

US Belém Novo

Rua Florêncio Farias,195 - Bairro Belém Novo

(51) 3289-5724

Clínica da Família Campo da Tuca

Rua Cel. José Rodrigues Sobral, 958 - Bairro Partenon

(51) 3319-4706

US Diretor Pestana

Rua Dona Teodora, 1016 - Bairro Farrapos 

(51) 3289-5664

Clínica da Família José Mauro Ceratti Lopes 

Estrada João Antônio da Silveira, 3330 – Bairro Restinga

(51) 3261-1405

US Moab Caldas

Av. Moab Caldas, 400 - Bairro Santa Tereza

(51) 3289-4070

US Modelo

Av. Jerônimo de Ornelas, 55 - Bairro Santana

(51) 3289-2557

US Morro Santana

Rua Marieta Menna Barreto, 210 - Bairro Protásio Alves

(51) 3387-8838

US Navegantes

Av. Presidente Franklin Roosevelt, 5 - Bairro São Geraldo

(51) 3342-3585

US Primeiro de Maio    

Av. Professor Oscar Pereira, 6199 - Bairro Cascata

(51) 3289-5676 ou (51) 3289-5674

US Ramos

Rua K esquina Rua R C, S/N  - Vila Nova Santa Rosa, Bairro Rubem Berta

(51) 3367-3321

US São Carlos

Av. Bento Gonçalves, 6670 - Bairro Partenon

(51) 3289-5525

US Tristeza

Av. Wenceslau Escobar, 2442 - Bairro Tristeza

(51) 3289-5764


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