Feira dos Agricultores Ecologistas completa 30 anos
capa

Feira dos Agricultores Ecologistas completa 30 anos

Primeira feira ecológica do Brasil, a FAE pode ser considerada um símbolo de resistência na defesa de produtos sem agrotóxicos

Por
Felipe Samuel

Primeira feira ecológica do Brasil, a FAE pode ser considerada um símbolo de resistência na defesa de produtos sem agrotóxicos

publicidade

Criada a partir de um projeto político e cultural de uma cooperativa, a Feira dos Agricultores Ecologistas (FAE), localizada no canteiro central da avenida José Bonifácio, na Redenção, completa 30 anos em outubro. Primeira feira ecológica do Brasil, a FAE pode ser considerada um símbolo de resistência na defesa de produtos sem agrotóxicos.

Mais do que vender produtos orgânicos a um público diverso, a feira é um local de encontro, onde as pessoas podem passear e buscar alimentos diferenciados. No sábado, o cenário se repetiu, com centenas de pessoas ocupando o canteiro central da via e comprando produtos orgânicos.

Pioneiro do movimento que se instalou na região, Nelson Diehl explica que o objetivo de criação da feira é difundir a cultura ecológica. Produtor de derivados de cactus, como sucos, pastinhas, ervas e temperos, ele afirma que o objetivo é promover, ainda nos dias atuais, a diversidade da agricultura gaúcha, reunindo agricultores de diversas etnias e regiões, independente do tamanho da propriedade.

"Não nos interessava sitiantes, pessoas que tenham a agricultura como hobby, mas agricultores profissionais, que têm história de ser agricultor e que não colocariam veneno", observa. "Aqui é um espaço, de salvaguarda, de resistência. Mais do que isso, é um espaço de encontro, de exercício da diversidade, completa.

Diehl destaca que a ideia era ocupar um espaço de movimento ecológico e da cultura naturista, com ênfase no alimento saudável. "Hoje a questão do agrotóxico tem apelo muito forte, num momento que temos um governo que não esconde seu apreço, sua dependência emocional e política dos agrotóxicos", critica.

De acordo com Diehl, 140 agricultores integram a FAE. Ele reforça que “são agricultores e feirantes que vivem das suas próprias pernas” e não precisam pedir financiamento todos os anos para sustentar sua atividade. "É um direito da pessoa comer alimento sem veneno, não é um privilégio, não é algo para quem pode pagar. Tanto que essa feira sempre teve preços acessíveis, que permitiam ao consumidor comprar e o agricultor sobreviver", garante.