Fepam suspende empresa por emissão de odores à beira do Guaíba

Fepam suspende empresa por emissão de odores à beira do Guaíba

Cettraliq já informou que vai recorrer à Justiça

Bibiana Borba / Rádio Guaíba

Fepam suspende empresa por odor

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A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) determinou a suspensão, a partir do início da tarde desta quarta-feira, das atividades da empresa Cettraliq, localizada às margens do Guaíba. Conforme a assessoria de comunicação da Fepam, a medida é preventiva e decorre do excesso de emissão de odores na região do bairro Navegantes, na zona Norte da Capital.

O mesmo cheiro percebido por moradores na água, desde o início de maio, é notado com mais intensidade na região onde está instalada a empresa de tratamento de efluentes do setor industrial. A Cettraliq sustenta que o odor é atmosférico e que a atividade da empresa não excede nenhum dos limites legais exigidos para o tratamento de resíduos. A assessoria de comunicação da empresa confirmou que um mandado de segurança com pedido de liminar já está sendo encaminhado à Justiça para reverter a suspensão. Uma nota sobre o assunto deve ser divulgada pela direção ainda hoje.

A Cettraliq já havia entrado na mira da Prefeitura e do Ministério Público por suspeita de despejo irregular de substâncias no Guaíba, mas nenhum exame técnico confirmou qualquer origem do problema até agora. A Prefeitura revelou que a empresa atua sem alvará de licenciamento desde 2004.

Relatório


Divulgado na segunda-feira, o resultado de uma análise encomendada pela empresa descartou que o sistema biológico utilizado pela Cettraliq tenha relação com o número significativo de bactérias Actinomicetos encontrado pelo Dmae na Casa de Bombas do Trensurb, na zona Norte. Análises de um laboratório da Universidade Federal de Santa Catarina na estação de tratamento da empresa apontaram que o número de bactérias está dentro do normal para a atividade. A quantidade excessiva de bactérias chegou a ser apontada como suposta responsável pelas alterações de cheiro e odor da água distribuída em Porto Alegre.

Conforme o site da Cettraliq, a empresa “realiza importante serviço ao meio ambiente, atuando dentro das normas estabelecidas, efetuando o tratamento de resíduos e realizando a liberação no corpo receptor (o Guaíba) somente depois de atingidos rígidos padrões estabelecidos pela Fepam, fazendo com estes não sejam descartados aleatoriamente nos rios".

Na semana passada, o Dmae reconheceu que as causas das alterações da água em Porto Alegre podem nunca vir a serem descobertas pelos órgãos de monitoramento. Diretores do Departamento ressaltaram que há precedentes internacionais sem identificação da origem. O Dmae também destacou que a situação é inédita na cidade.

Depois de mais de dois meses desde que as análises começaram, o cheiro e o sabor desagradáveis seguem sendo percebidos na água das torneiras, especialmente no Centro e na zona Norte. Técnicos já concluíram que a única substância diferente encontrada até agora na água, a bactéria Actinomiceto, não teve relação aparente com o problema investigado. Também é descartada a possibilidade de que algas, cianobactérias ou o nível de esgoto sanitário normalmente presente no Guaíba tenham provocado as alterações.

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