Frente médica vê "crime" em nota técnica da Saúde que defende cloroquina em vez de vacina

Frente médica vê "crime" em nota técnica da Saúde que defende cloroquina em vez de vacina

Entidade fez duras críticas a argumentos para rejeitar diretrizes da Conitec contra Covid-19

Frente Médica criticou uso de cloroquina contra a Covid-19

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Após a rejeição pelo Ministério da Saúde das diretrizes elaboradas pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias ao Sistema Único de Saúde) para tratar pacientes contra a Covid-19, organizações médicas que formam a Frente pela Vida se reuníram para pedir providências a fim de reverter a decisão. Na avaliação da frente, configura crime atestar "a (suposta) eficácia da hidroxicloroquina para tratamento de Covid-19, e ineficácia das vacinas na prevenção da doença". 

A Frente pela Vida destaca, em nota pública, que, enquanto a hidroxicloroquina teve a ineficácia para tratar Covid comprovada por estudos científicos e não possuir uso off label com aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ou da OMS (Organização Mundial da Saúde), as vacinas salvam vidas e são regulamentadas no país. 

A "nota técnica do Ministério da Saúde divulga informações falsas, mentirosas, que confundem a população, desorientam as pessoas quanto à sua proteção contra a Covid-19", afirma a frente, composta por 12 entidades médicas como a Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), SBV (Sociedade Brasileira de Virologia), ABMMD (Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia), além do CNS (Conselho Nacional de Saúde). 

Os argumentos rebatidos pela frente foram usados na justificativa do secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Hélio Angotti Neto, para vetar todos os relatórios votados pela Conitec para direcionar o tratamento de pessoas com Covid.

Na nota ténica, de sexta-feira (21), o secretário cita "treze estudos controlados e randomizados com direções de efeito favoráveis à hidroxicloroquina, com efeito médio de redução de risco relativo de 26% nas hospitalizações, altamente promissor para o uso discricionário e prosseguimento dos estudos". Em contrapartida, para sustentar a suposta falta de efetividade das vacinas, menciona "dezoito ensaios não finalizados, dos quais, oito ainda estão em fase de recrutamento, nove ainda não estão finalizados e um está finalizado, mas ainda é insuficiente para a avaliação de segurança, mas recomendado para 'combate à pandemia'".

Na avaliação da Frente pela Vida o posicionamento do ministério por meio da Sctie (Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos) representa "mais este atentado contra a saúde pública que resulta em grave ameaça à vida. Denunciando a manifestação, as organizações médicas exigem retratação por parte do ministério e cobram das autoridades competentes "a apuração das responsabilidades e providências enérgicas contra os responsáveis por este crime contra a população brasileira". 

No Legislativo, parlamentares já se movimentam para ouvir explicações sobre a nota técnica contrária à decisão da Conitec. A Frente Parlamentar Observatório da Pandemia de Covid-19 pretende convidar o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde do Ministério da Saúde, Hélio Angotti Neto, a prestar esclarecimentos. O ministro Marcelo Queiroga também está na lista de depoimentos. 

Nesta segunda-feira (24), Queiroga afirmou a jornalistas que cabe a ele reavaliar a decisão da Sctie e o fará com "transparência, publicidade, impessoalidade e legalidade". Por outro lado, negou que um pedido de revisão tenha chegado formalmente ao Ministério da Saúde e, por isso, aguarda para tomar as providências cabíveis. 


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