Furacão Catarina, que deixou 11 mortos e milhares de desalojados, completa 18 anos

Furacão Catarina, que deixou 11 mortos e milhares de desalojados, completa 18 anos

Foi primeira vez em que um furacão atingiu a costa do Atlântico Sul

Correio do Povo

Foi primeira vez em que um furacão atingiu a costa do Atlântico Sul

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“Devastação e mortes no Litoral”. Foi com esta manchete que o Correio do Povo noticiou, há 18 anos, primeiro furacão registrado no Atlântico Sul e único a registrar rajadas acima dos 180 km/h no Brasil. Era o Catarina, que deixou mais de 27,5 mil desalojados, 1,5 mil casas destruídas e quase 36 mil danificadas, onze mortos e 518 feridos. O fenômeno atingiu as costas catarinense e gaúcha no dia 27 de março de 2004, mas o estado vizinho ao RS teve mais prejuízos: 14 municípios decretaram estado de calamidade pública. Para amenizar os estragos foi destinado R$ 1 bilhão ao governo catarinense. 

Segundo o meteorologista da MetSul, Luiz Fernando Natchigall, “nenhum dia foi tão tenso, nervoso e dramático” para os profissionais de sua área como no dia da ocorrência do Catarina. “A tempestade a cada hora era mais intensa no mar e inexistiam dados confiáveis sobre velocidade de vento pela ausência de boias. Havia um monstro no oceano, porém não se sabia qual era a sua real força”, lembrou. As ondas chegaram a cinco metros, assustando moradores e especialistas. “Elevamos o tom da gravidade à medida que era cada vez mais evidente que estávamos a poucas horas de situação sem precedentes”, explicou Natchigall.

A tempestade se desenvolveu a partir de um ciclone extratropical em 12 de março. Quase uma semana depois, no dia 19, a perturbação remanescente seguiu na direção leste-sudeste, mas três dias, se formou uma crista de alta pressão. A combinação de dois fatores, uma rápida variação de corrente no vento e a temperatura da superfície do mar acima da média, levou a uma lenta transição do sistema de um ciclone extratropical para um ciclone subtropical em 24 de março. Mas foi no dia 26 que a tempestade alcançou ventos máximos sustentados com velocidades de até 180 km/h, definida como de categoria 2 na escala de furacões de Saffir-Simpson (de 1 a 5). 

Próximo ao rio Mampituba, uma casa foi destruída cerca de 50 metros rio acima e acabou parando, literalmente, em outro estado: ela havia sido inicialmente construída no município de Torres, no Rio Grande do Sul, mas acabou em Passo de Torres, no interior de Santa Catarina.

Além das mortes, os prejuízos econômicos atingiram a agricultura de banana da região, que perdeu 85% da produção, e de arroz, que perdeu 40% do trabalho desenvolvido até aquele momento. Dos edifícios públicos, 397 foram danificados e três foram destruídos. A maioria das casas danificadas tiveram algum tipo de falha ou colapso do telhado. De modo geral, os danos foram atribuídos à baixa qualidade da construção; em residências de tijolo geralmente faltavam gesso, vigas ou colunas. Apesar da inexistência de uma estrutura de alertas e de avisos específica para ciclones tropicais no país na época, as autoridades brasileiras conseguiram evacuar a população litorânea com rapidez.

Desde então, somente o Tornado de Xanxerê, em 2015, e o Ciclone-bomba, de julho de 2020, se aproximaram da fúria do Catarina, que marcou a história daquele estado.


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