Governo do RS deve ampliar testagem de Covid-19 e não descarta medidas mais restritivas

Governo do RS deve ampliar testagem de Covid-19 e não descarta medidas mais restritivas

Governador Eduardo Leite afirmou que as duas mil novas testagens diárias devem iniciar em julho

Por
Jessica Hübler

Anúncio de ampliação das testagens foi dado em videoconferência nesta quinta-feira


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O governo do Estado deve ampliar o número diário dos testes RT-PCR de 1 mil para 3 mil. O anúncio foi feito na tarde desta quinta-feira, durante transmissão virtual, pelo governador Eduardo Leite. Ele afirmou que isso deve ocorrer em julho e que também deve aumentar os grupos de testagem para esses exames. Apesar disso, não foram repassados detalhes específicos sobre a questão, somente que deve iniciar neste mês.

“O exame é feito para o diagnóstico do novo coronavírus, não é o teste rápido, ele identifica o vírus no período em que está ativo no organismo do indivíduo, é uma apuração um pouco mais demorada”, explicou. Conforme Leite, a parceria para “este importante avanço no Estado” é com o programa Todos Pela Saúde. “Isso vai viabilizar um programa de rastreamento e acompanhamento de casos no Estado, para que possamos ser mais assertivos no isolamento e distanciamento das pessoas que efetivamente entraram em contato com o vírus”, afirmou.

O governador ainda ressaltou que é a sociedade, e não o governo sozinho, que vai vencer essa crise do novo coronavírus e superar esse momento da pandemia. A secretária de Saúde do Rio Grande do Sul, Arita Bergmann, reiterou que a testagem de maior parte da população vai nos ajudar no enfrentamento à Covid-19. “A ampliação da testagem se torna fundamental para que possamos identificar de forma precoce os casos, tanto sintomáticos quanto assintomáticos, esse projeto contará com insumos e a realização dos testes em laboratórios fora do Estado”, disse.

Na primeira etapa, conforme Arita, os grupos que serão testados na implantação do projeto serão os trabalhadores e residentes em instituições de longa permanência (LPIs), sintomáticos ou não. “Estamos vendo surtos nessas instituições de idosos, é preciso que tenhamos esse diagnóstico rapidamente, para que possamos fazer o bloqueio necessário e evitarmos a disseminação do vírus nessas casas”, enfatizou Arita.

Segundo ela, o segundo grupo que deve ser incluído nessa ampliação é o de trabalhadores de saúde, especialmente aqueles que estão na comunidade. “É necessário ampliar, especialmente para os contatos daquele trabalhador que estiver sintomático, ou em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), ou em algum serviço dentro da área do estabelecimento de saúde, seja ele hospitalar, UBS, Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) e assim sucessivamente”, detalhou.

O terceiro grupo da primeira etapa, de acordo com Arita, será o das pessoas que apresentam síndrome gripal. “Principalmente agora no inverno, que muitas pessoas estão com este quadro, então elas poderão procurar uma UBS, que terão garantida também a realização desse exame”, declarou. Na segunda etapa a pretensão do governo é ampliar, através de um aplicativo chamado Dados do Bem, a testagem para todos os contactantes desse terceiro grupo. “Identificamos que alguém foi positivo e, a partir desse aplicativo, rastreamos os seus contatos porque isso é a forma para a gente reduzir substancialmente a transmissão do vírus e, ao mesmo tempo, conter o crescimento desta curva epidêmica”, assinalou Arita.

A dinâmica da coleta, conforme a secretária, será a mesma que hoje os municípios e os serviços já fazem. “Estamos programando termos mais pontos de recebimento do material a ser examinado”, pontuou. A primeira etapa será no Lacen, Arita afirmou que será reforçada a equipe de recepção. Além disso, o governo trabalha com uma programação para que os municípios entreguem os materiais de coleta junto às Coordenadorias Regionais de Saúde, para que seja possível dar mais agilidade ao processo.

A partir daí, os exames serão encaminhados para um laboratório, provavelmente em Curitiba. “Além de termos a garantia dos insumos, também temos a logística do transporte através do projeto Todos Pela Saúde”, lembrou Arita.

O governador Eduardo Leite acrescentou que é o momento de realizar um melhor rastreamento, para que seja possível fazer o isolamento das pessoas que estão com a Covid-19. “E buscarmos através dos contactantes todos aqueles que estiverem também com a doença, para podermos interromper o ciclo de contágio que se estabelece”, enfatizou.

Medidas mais restritivas não estão descartadas

Neste sábado será anunciada a atualização dos riscos para cada região do Rio Grande do Sul, dentro do modelo do Distanciamento Controlado do governo do Estado. Apesar de o governador Eduardo Leite ter dito em transmissão virtual na tarde desta quinta-feira, que não há nada definido sobre a possibilidade de mudança para a bandeira preta em qualquer região, ele também alertou para a preocupação do governo com a situação da Região Metropolitana de Porto Alegre, que atualmente está em bandeira vermelha.

“Estamos observando, de fato, especialmente na região de Porto Alegre, um crescimento persistente de casos e de internações em leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), e aí está o grande ponto, pois a região e especialmente a Capital são estruturantes do sistema de saúde do Estado, temos uma concentração de estrutura na Região Metropolitana de Porto Alegre e se essa região tiver problemas, o Estado todo vai ter problemas”, declarou. Por conta disso, Leite reforçou que conta com a colaboração de todos, especialmente dos moradores da Capital e dos municípios do entorno.

“E se for o caso, se os indicadores apresentarem isso, haverá migração para a bandeira preta e se a partir disso, não houver alterações, iremos para medidas mais restritivas de circulação de pessoas, mas queremos evitar isso, e podemos, se os gaúchos colaborarem”, destacou.


Leite lembrou, mais uma vez, que esse é o momento mais crítico de demanda na nossa estrutura hospitalar. “Tenho muita confiança que o povo gaúcho atenderá a esse chamado para que fique em casa, especialmente nas próximas semanas, para que possamos atravessar esse momento”, afirmou.