Grupo protesta contra possível lockdown em Porto Alegre

Grupo protesta contra possível lockdown em Porto Alegre

Ofício foi entregue ao Executivo Municipal para formalizar um encontro no gabinete e outro à Câmara de Vereadores

Christian Bueller

Protesto na prefeitura de Porto Alegre

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Representantes de vários setores e diferentes segmentos participaram de manifestação em frente à prefeitura de Porto Alegre, hoje. O grupo rede reabertura do comércio na Capital e se posiciona contra um possível lockdown, aventado pelo prefeito Nelson Marchezan Júnior. Um ofício foi entregue ao Executivo Municipal para formalizar um encontro no gabinete e outro à Câmara de Vereadores da Capital.

Com uso de caixa de som e cartazes, empreendedores discursaram expondo suas dificuldades em meio à pandemia. Um deles é Bruno Carrão da Silva, empresário de quadras esportivas que, segundo decreto municipal, tiveram as atividades suspensas. No bairro Lami, ele organiza competições amadoras de futebol por onde passam centenas de pessoas. “A nossa classe é uma das mais prejudicadas. O comércio e academias chegaram a abrir e fechar, mas nós, desde 15 de março, estamos direto fechados”, reclama. Carrão diz que levou ao poder público projeto de segurança sanitária para o retorno da prática esportiva, mas não obteve retorno. “Por que nas praças públicas pode ter futebol e no privado não pode? Ninguém sobrevive de portas fechadas o ano inteiro”, questiona o empresário.

Durante a manifestação, teve minuto de silêncio, simulação de um velório com um caixão preto e máscaras com o rosto do prefeito, que não estava no Paço Municipal. Integrante da Associação das Academias Gaúchas Unidas (AAGU), Glemir Gomes diz que a reivindicação inicial era para seu segmento fosse incluído como serviço essencial. Atualmente, a luta é maior. “Depois de quatro meses, que o governo teve chance de se preparar e nada aconteceu, queremos que todo comércio abra”, afirma. Segundo ele, lockdown pode “matar as pessoas”. “O emprego está sumindo. Entre 30% e 40% das academias não reabrem mais. Não podemos aceitar o que está acontecendo”, frisa. O funcionamento das academias, sejam elas localizadas em shoppings, condomínios ou clubes sociais, também continua proibido, salvo apenas para treinamento físico de atletas profissionais e com contrato.

Trabalhadores dividiram espaço com vereadores, como Valter Nagelstein (PSD) e Comandante Nádia (DEM), ex-secretária do governo Marchezan. Entre eles, o balconista Gabriel Martins, da Banca 38 do Mercado Público. Segurando uma faixa e uma cruz estilizada de metal, pede que seu trabalho volta ao funcionamento que tinha antes da pandemia. É permitido o sistema de telentrega e pague e leve para os estabelecimentos do ramo de alimentação com acesso externo. “Complicou para várias famílias. Muitos funcionários foram demitidos, outros afastados”. Representando a Banda do Holandês, Danilo Schaeffer lembra que nos cem anos do estabelecimento nunca houve situação parecida. “Em supermercados grandes não se pega coronavírus? O salário do prefeito é pago com nossos impostos. Como vamos pagar o salário dele?”, ironiza o comerciante.


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