Internações em UTI batem recorde em Porto Alegre

Internações em UTI batem recorde em Porto Alegre

Do total, 231 estão internados com diagnóstico confirmado (183) ou suspeito de Covid-19 (48)

Por
Felipe Samuel

De acordo com o monitoramento Covid-19 do governo do Estado, a taxa de ocupação de leitos de UTI adulto atingiu 73,6%


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Com avanço do novo coronavírus nas últimas semanas, Porto Alegre registrou nesta terça-feira um novo recorde de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI): 609. Do total, 231 estão internados com diagnóstico confirmado (183) ou suspeito de Covid-19 (48). 

O crescimento constante e sustentado deixa em alerta hospitais referência no tratamento da doença, que já registram níveis elevados de ocupação nas UTIs. Além dos hospitais Restinga e Independência, que registraram lotação total, Nossa Senhora da Conceição (96%), Moinhos de Vento (91,94%), Clínicas (85,21%) e Santa Casa (85,15%) assinalaram taxas elevadas.

Adjunto da Secretaria Municipal da Saúde, Natan Katz afirma que desde junho há aumento importante da quantidade de ocupação de leitos. Por conta disso, a Prefeitura anunciou uma série de medidas para restringir as atividades econômicas e evitar a circulação da população, como fechamento de parques e da parte da Orla do Guaíba. 

Katz ressalta que os leitos continuam sendo 'abertos' de acordo com a necessidade. "Passamos do alerta para situação de perigo. Acreditamos que nos próximos dias vamos conseguir enxergar alguma coisa das medidas que adotamos", frisa.

Preocupação 

A elevação dos casos de internação nos leitos de UTI desde o começo da semana preocupa o diretor técnico do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Francisco Zancan Paz. Ao destacar que o Nossa Senhora da Conceição quase atingiu lotação completa dos leitos de UTI na tarde de ontem, Paz alerta que a instituição está chegando no 'limite'. "Isso vai nos levar a ficar essa semana em alerta, com medidas de restrição para a gente se concentrar no atendimento de pacientes de Covid-19", justifica.
 
Paz reforça que houve aumento de internações de pacientes com doenças respiratórias nos últimos dez dias. A direção avalia a possibilidade de remanejo de enfermos e a redução de circulação dentro do hospital para evitar a disseminação do vírus. 
 
"Vai chegar o momento que não vamos mais poder receber doentes, estamos chegando no limite. É possível que em algum momento o hospital tenha que parar de receber pacientes", adverte. A procura por atendimento nos centros de triagem para Covid-19 instalados tanto no Conceição quanto na UPA Moacyr Scliar, na Zona Norte, também reflete a disseminação do vírus entre a população.

Pico da doença  

Conforme Paz, é um sinal de que a doença pode estar atingindo o pico na Capital. Isso nos deixa numa situação de preocupação, eventualmente vamos ter que manejar doentes, atender na emergência e buscar outros recursos", completa.

O infectologista André Luiz Machado, do HNSC, confirma que o sistema hospitalar está chegando ao limite com aumento de internações, principalmente na ocupação de leitos para casos considerados moderados. Machado admite que atualmente o hospital trabalha com 'número justo'.  

Por isso, reforça apelo para que a população faça a sua parte e evite circular pela cidade sem necessidade. "Daqui a pouco vai começar o grande temor da assistência médica, que é a falta de leito. Estamos trabalhando no limite, conseguindo manter uma reserva técnica", explica.  


No Rio Grande do Sul, de acordo com o monitoramento Covid-19 do governo do Estado, a taxa de ocupação de leitos de UTI adulto atingiu 73,6%. Dos 1.632 pacientes internados, 476 testaram positivo para o novo coronavírus e 156 são suspeitos da doença ou de outra síndrome gripal. Somados, representam 38,6% do total.