Médica diz que não há confirmação científica de transmissão de Covid-19 entre grávida e feto

Médica diz que não há confirmação científica de transmissão de Covid-19 entre grávida e feto

A geneticista Lavínia Schuler-Faccini esclareceu dúvidas sobre os cuidados na gravidez durante a pandemia

Christian Bueller

A geneticista Lavínia Schuler-Faccini esclareceu dúvidas sobre os cuidados durante a pandemia

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A médica geneticista gaúcha Lavínia Schuler-Faccini foi a convidada da live semanal da Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica (SBGM), nessa quinta-feira. Na página do Instagram da entidade, a especialista tirou dúvidas de internautas desde a possibilidade de transmissão do novo coronavírus no período intrauterino, cuidados na amamentação e riscos de abortamento ou de prematuridade.O bate-papo virtual foi mediado pela médica geneticista, Vera Gil, professora titular do Departamento de Genética Médica da Unicamp, coordenadora do Projeto Crânio-Face Brasil e diretora Científica da SBGM.

Segundo Lavínia, que coordenou estudo feito pelo Sistema Nacional de Informação sobre Teratógenos (SIAT), projeto de Extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, não há confirmação de transmissões vertical da Covid-19. Ou seja, a partir da mãe para o seu feto no útero ou recém-nascido durante o parto. “Se existir, seria somente no terceiro trimestre, mas é raro. Foram feitos estudos, não houve contaminação neste período. Nem mesmo o aumento no número de abortos em tempos de pandemia pode ser comprovado”, garantiu Lavínia.

No entanto, ela recomenda atenção à manifestação de febre, tanto para gestantes quanto lactantes. “A pessoa com Covid-19 costuma ter febre alta. Não se assuste, basta usar qualquer antitérmico, menos o ibuprofeno, que não é indicado nestas situações. A febre, essa sim, tem que ser controlada porque é um fator de risco para o desenvolvimento do feto”, orientou Lavínia. A geneticista explicou, ainda, que não há notícia sobre a transmissão do vírus pelo leite materno. “Neste momento, estamos mais tranquilos porque há o fantasma da infecção na época da epidemia do zika, mas ocorre com o novo coronavírus. As mães infectadas devem amamentar, sim. Certamente, devem fazer a higiene, passando sabão nos seios, e não álcool gel. E, claro, quando não está amamentando, manter distância de, ao menos, dois metros do bebê”, esclareceu.

Perguntada sobre a eficácia da cloroquina e hidroxicloroquina, Lavínia reiterou que os medicamentos são utilizados para malária e lúpus, mas não há comprovação científica sobre sua utilização em pacientes com Covid-19. “Se houver benefício para a maternidade, é claro que poderá ser receitado pelos médicos. Mas vemos com receio o uso indiscriminado. Podem ser milhares de mulheres usando, o risco-benefício é muito tênue. Nossa posição é esperar os benefícios claros”, afirmou.

Lavínia não criticou quem opta por engravidar em plena pandemia. “A decisão é do casal. Nem na época do zika fizemos qualquer recomendação. Se a mulher é jovem, sim, pode esperar um pouco já que o mundo está complicado. Mas cada caso é diferente, sem falar as que engravidam sem saber”, salientou a médica, ponderando que, mesmo sem uma contraindicação formal, é importante haver planejamento para uma gravidez. “Não se preocupe se engravidou no meio da pandemia. Se tiver Covid-19, fique calma”, aconselhou.


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