Médico do Clínicas alerta para “estabilização artificial” na ocupação de UTIs

Médico do Clínicas alerta para “estabilização artificial” na ocupação de UTIs

Ocupação próxima dos 90% não garante segurança em meio à pandemia, advertiu chefe de setor de atendimento a pacientes e estado crítico

Jessica Hübler

Flexibilizações devem ter reflexos em hospitais nos próximos dias

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A situação do sistema de saúde de Porto Alegre não é confortável. O chefe da Unidade de Gestão do Paciente Crítico do Hospital de Clínicas, Fabiano Nagel, alerta que mesmo que a velocidade no crescimento da demanda tenha apresentado certa desaceleração, o número de pacientes novos continua em um patamar elevado: “Trazemos entre quatro e oito pacientes externos por dia, temos uma estabilização artificial”.

No fim da tarde desta segunda-feira, 726 dos 826 leitos operacionais de UTI adulto da Capital estavam ocupados, sendo 372 internações relacionadas à Covid-19 – 335 confirmados e 37 suspeitos. O contingente representa mais da metade dos pacientes em terapia intensiva, 51,2%.

No Clínicas, a soma de confirmados e suspeitos na UTI chegava a 98. O hospital dispõe de 149 leitos de UTI. Conforme Nagel, durante os últimos sete dias Porto Alegre teve um número de solicitações por leitos de UTI Covid considerado estável, mas que não caiu de forma nenhuma, em nenhum momento. “Levando isso em consideração, nós continuamos com o mesmo nível de vigilância que estávamos anteriormente. A situação não parece estar controlada”, frisou. 

A taxa de ocupação da UTI adulto no Clínicas no fim da tarde estava em 93,15%. “Operar acima de 90% constantemente é extremamente complicado, a demanda desses pacientes (Covid-19) é muito alta pela gravidade com que eles se apresentam e pelo nível de insuficiência respiratória que demonstram”, detalhou. “Estamos vivendo um momento realmente de muita pressão para trabalhar.”

Flexibilizações devem ter reflexos em hospitais nos próximos dias

A estabilização nas internações de pacientes com a Covid-19 nos patamares que estamos vivendo, segundo Nagel, não traz nenhuma segurança. “Um fenômeno que precisa ser levado em consideração é que estamos convivendo também com a flexibilização das atividades econômicas, e isso trará reflexos para as UTIs nos próximos 10 ou 15 dias. Pode ser que tenhamos de novo uma aceleração de casos como está acontecendo em São Paulo e também em alguns países da Europa”, exemplificou, lembrando que é preciso que a população siga cautelosa.

Além disso, Nagel ressaltou que é necessário que todas as pessoas sigam os protocolos de distanciamento e também a etiqueta respiratória, como uso de máscara e higiene frequente das mãos. “Pacientes jovens sem doenças prévias também são afetados, não é uma questão exclusiva de uma faixa etária, pois existem riscos para todos.” Ele reforçou que a população do grupo de risco tem probabilidade maior de uma evolução desfavorável no quadro da doença, “mas isso não é garantia de segurança para os demais”.


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