Moradores do bairro Medianeira relatam medo e insegurança após escola infantil ser invadida

Moradores do bairro Medianeira relatam medo e insegurança após escola infantil ser invadida

Instituição de Porto Alegre foi assaltada duas vezes na madrugada de quarta-feira

Correio do Povo

Moradores relatam que furtos e invasões em residências do bairro aumentaram durante a pandemia

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O medo e a insegurança rondam os moradores da rua Marciano Ribeiro, entre a rua Coronel Neves e a avenida Oscar Pereira, no bairro Medianeira, em Porto Alegre. Eles relatam roubos e furtos na área. A vítima mais recente da criminalidade foi a escolinha de educação infantil Creche Elsinha, que atende 108 crianças em turno integral e conveniada com a Prefeitura Municipal. O local foi invadido duas vezes na madrugada da última quarta-feira.

À reportagem do Correio do Povo, na manhã desta sexta-feira, a diretora do estabelecimento, Andreia Camargo, relatou que a invasão ocorreu às 2h30min e depois às 4h40min, através de um muro. “Arrancaram a porta do refeitório”, observou, acrescentando que a mesma foi agora soldada.

“A gente depende da contribuição dos pais e da comunidade” recordou Andreia Camargo. Segundo ela, os ladrões levaram por exemplo a cesta básica que é distribuída para as famílias das crianças. “A gente fica bem chateada, porque a comunidade precisa…”, desabafou.

Ela disse que a vizinhança contou que a criminalidade atua dia e noite. “Vários vizinhos disseram que já foram assaltados”, frisou. Na casa ao lado da creche, lembrou, a vizinha foi rendida pelos bandidos. “Entraram dentro da casa com ela”, resumiu. “Bem triste a situação”, concluiu.

Os moradores da rua Marciano Ribeiro não querem se identificar devido ao temor de represálias. Um grupo no aplicativo no WhatsApp foi criado para troca de informações e alertas.

“Estão assaltando diariamente. Aqui em casa já entraram e levaram ferramentas elétricas. Na vizinha já entraram várias vezes”, afirmou uma moradora, de 65 anos. “Já roubaram o carro da minha irmã que estava chegando aqui”, revelou, frisando que roubos de veículos também acontecem na área.

Ela recordou que furtos de cabos na rua também já foram registrados. Observou que três ferros-velhos de sucatas existentes nas proximidades atraem os mal-intencionados. “Eles roubam e já vendem lá”, supôs. Outros dois estabelecimentos semelhantes ficam nas proximidades da rua.

“Uns 15 dias para está impossível”, calculou, apontando que o período noturno é o pior momento. Várias residências como a dela possuem arames farpados e concertinas, mas nem a proteção tem sido suficiente. “Eles derrubam e vendem”, apontou. Ela mesma estava reforçando o muro com o equipamento. “Está difícil...tem que estar sempre atento”,

Outra moradora, de 53 anos, também está desconfiada que os ferros-velhos atraíram não apenas os necessitados e “as pessoas boas”, mas também os ladrões, bem como ratos e mosquitos da dengue. “Nossa rua ficou terrível e sempre perigosa…Com a pandemia ficou muito pior….As mães levam as crianças para a creche e são surpreendidas”, explicou.

“Na minha casa já entraram várias vezes”, assinalou. “A gente nunca sabe quando vai ter uma invasão”, complementou. “Pagamos impostos e estamos sendo reféns dentro da própria casa”, questionou.

Uma terceira moradora, de 25 anos, declarou que levam “tudo que for reciclável”, inclusive portões, para venderem como sucatas. “Levam os fios dos postes...Várias vezes ficamos sem luz….”, disse. “Assaltos são diretos”, enfatizou.

A jovem acredita que foram dois bandidos que invadiram a creche. “Esta rua tem pouca iluminação”, salientou. “Nada adianta, estamos sem saber o que fazer”, desabafou.

Nota oficial Brigada Militar

A Brigada Militar, através do 1º BPM, emitiu uma nota oficial. “Inicialmente esclarecemos que a comunidade tem acesso à Brigada Militar, podendo alcançar suas demandas diretamente, ou através de associações de bairro. Quando franqueado, integramos o grupo de segurança do bairro nas redes sociais, através da qual recebemos dados complementares das ocorrências havidas, permanecendo o despacho de viaturas pelo telefone de emergência 190”, esclareceu.

“Referente ao bairro Medianeira, os indicadores criminais apresentam baixa variação quando comparados ao ano anterior. O batalhão intensifica o policiamento nos pontos de maior concentração de delitos, os quais são mapeados de acordo com os registros policiais correspondentes”, diagnosticou o 1º BPM.

“Sobre furto de cabos, o último registro no bairro ocorreu no mês de outubro de 2021. Geralmente há demora entre a constatação e a comunicação, sendo baixo o número de prisões em flagrante. Reforça-se a necessidade da rápida comunicação do fato para viabilizar a ação policial e o registro, com o fim de auxiliar nas investigações, para as quais existe uma delegacia especializada”, informou.

Sobre o furto ocorrido na Creche Elsinha, o 1º BPM esclareceu que os policiais militares compareceram no local e adotaram todas as medidas cabíveis para o atendimento da ocorrência, mas não lograram êxito na prisão dos delinquentes.

Conforme o 1º BPM, o ano de 2021 já tem 32 presos no bairro Medianeira, com apreensão de 224 cartuchos de munições, 14 armas, mais de 2,2 quilos de maconha, 512 gramas de cocaína, 55 gramas de crack e R$ 2.662,65 em dinheiro. “A Brigada Militar segue à disposição dos moradores da região para a troca de informações e discussão de medidas preventivas que
possam contribuir para a segurança pública”, concluiu na nota oficial.

Nota oficial Prefeitura de Porto Alegre

Por meio de nota nesta sexta-feira, o Escritório de Fiscalização da Prefeitura de Porto Alegre informou que ações de fiscalização já foram realizadas neste local. Apontou ainda que o ferro-velho citado possui licenciamento e e as atividades atendem às questões ambientais. 

Já com relação à segurança na região, a Guarda Municipal disse que o patrulhamento já é realizado no localidade e será intensificado pelos agentes. "Em função da grande demanda na segurança, as equipes de inteligência também estão focadas para auxiliar na redução dos índices de criminalidade nesta localidade e entorno", afirma.
  
"Para oferecer mais proteção à população, durante este período de Natal e Réveillon, a Secretaria da Segurança lançou, inclusive, na semana passada, a Operação Natal Azul Marinho, que ocorrerá até o fim de dezembro. Durante todo o mês, serão intensificadas atividades de prevenção e patrulha com o emprego da Ronda Ostensiva Municipal (Romu) e viaturas em bairros, ruas, paradas e locais estratégicos com o objetivo de intensificar o combate à criminalidade", destacou a nota. 


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