O que explica a nuvem de poeira que atingiu São Paulo e Minas Gerais no domingo?

O que explica a nuvem de poeira que atingiu São Paulo e Minas Gerais no domingo?

Fenômeno se deve a um prolongado período de estiagem associado a rajadas de vento muito fortes, que chegaram a 95km/h

R7

Evento é comum no Brasil, mas chamou a atenção pela extensão da área que alcançou

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Cidades do interior do norte do estado de São Paulo foram atingidas na tarde de domingo por uma intensa nuvem de poeira que transformou o dia em noite e assustou moradores locais. O fenômeno foi registrado sobretudo na cidade de Ribeirão Preto, mas também em Orlândia, Jardinópolis, Viradouro, Franca e no sul de Minas Gerais.

Segundo a meteorologista Carine Gama, do Climatempo, tempestades de poeira são comuns no Brasil em áreas de clima árido e semiárido durante os períodos de estiagem, mas o fenômeno deste final de semana chamou a atenção pela extensão da área que alcançou. No ano passado, os brasileiros vivenciaram dois fenômenos do tipo, entre 13 de agosto e 26 de novembro.

"O evento pode ser explicado a partir de dois principais fatores: uma estiagem muito prolongada e rajadas de vento muito fortes, que chegaram a atingir entre 90 e 95 quilômetros por hora", afirma. "Com a estiagem, o que ocorre é que se acumulam partículas de poeira no solo, que são provenientes dos centros urbanos e também das queimadas — então, veio o vento, levantou a poeira e deu origem à formação da nuvem, que alcançou milhares de quilômetros", completa.

Carine diz que a estiagem no centro do Brasil é bastante ampla durante o inverno e, no estado do Tocantins, por exemplo, chega a ficar quatro meses inteiros sem chover, o que equivale a cerca de 120 dias. No caso do norte de São Paulo e do sul de Minas Gerais, esse período foi de 103 dias.

Desde meados de março, quando terminou o verão, as chuvas vêm sendo muito irregulares e houve a queda de precipitações apenas durante o outono, de forma muito pontual e passageira. Com isso, houve também um aumento dos focos de queimada na região atingida pela tempestade, bem como em boa parte do Serrado, da Floresta Atlântica e da Floresta Amazônica.

De acordo com relatos de moradores, a tempestade derrubou árvores, diminuiu a visibilidade nas estradas e assustou a todos que passavam pela região. Vídeos da imensa nuvem de poeira cobrindo a cidade de Ribeirão Preto viralizaram nas redes sociais.

O susto foi grande, mas a boa notícia é que, na última quarta-feira, o Brasil entrou na primavera, estação úmida e marcada por chuvas frequentes, o que reduz significativamente o tempo de estiagem e desfavorece a formação de possíveis nuvens de poeira. Os destaques climáticos agora serão os temporais, aquelas chuvas fortíssimas no final da tarde, muitas vezes acompanhadas de granizo e outras precipitações.


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