Ocupação de leitos de UTI no RS mantém nível estável em outubro

Ocupação de leitos de UTI no RS mantém nível estável em outubro

Especialista ressalta importância da vacinação para que pandemia fique mais controlada

Felipe Samuel

Internações em UTIs em outubro mantêm média superior a 1,9 mil pacientes

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Após registrar queda acentuada das internações em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) até o início de setembro, o Rio Grande do Sul observa estabilização das hospitalizações no mês de outubro. Mesmo com avanço da vacinação no Estado, a ocupação dos leitos de terapia intensiva chega nesta terça-feira a 57,6%, com 1.901 pacientes em estado grave. Dos 3.301 leitos disponíveis, 1,4 mil estão livres. Conforme dados do portal Coronavírus da Secretaria Estadual da Saúde (SES), há um mês a rede hospitalar tinha um pouco menos de leitos livres: 1.390.

Mesmo com avanço da vacinação contra o novo coronavírus, as internações em UTIs em outubro mantêm média superior a 1,9 mil pacientes. Conforme a SES, embora mais de 6,7 milhões de pessoas já tenham completado o esquema vacinal no Estado, o equivalente a 59% da população vacinável, as internações por Covid-19 no Estado - depois de apresentar redução expressiva em julho e agosto - se estabilizaram em outubro. Até o dia 25 deste mês, em média, 456 pacientes com a doença estavam em UTIs. O maior número de internações foi registrado em 21 de outubro, com 482 pacientes em estado grave.

Para Carina Guedes Ramos, epidemiologista do Hospital Nossa Senhora da Conceição, o cenário atual sugere uma redução progressiva das hospitalizações. "Não é uma queda acentuada. Aqui no hospital, em alguns momentos, a gente acabava registrando vários dias com mesmo número de pacientes internados, mas ao longo do tempo isso vai caindo, se sustenta um pouco e cai um pouquinho", assinala. Apesar da cobertura vacinal adiantada e da diminuição do número de mortes e de internações por Covid-19, Ramos avalia que ainda é cedo para garantir que a pandemia está no fim.

Caminho para endemia

Alguns especialistas apontam que o RS, por conta do bom ritmo de vacinação, já anteveem os primeiros sinais de um processo de passagem de uma epidemia para uma endemia - que é caracterizada pela ocorrência recorrente de uma doença em determinada região, mas sem um aumento significativo no número de casos. Mas essa não é a avaliação da especialista. "Dizer que estamos caminhando para uma endemia ainda seja um pouco precoce", alerta, acrescentando que alguns países estão registrando novo surtos da doença.

Ela destaca que "estamos caminhando para um momento mais controlado da pandemia", mas ressalta que a população precisa cumprir a sua parte e completar o esquema vacinal. Conforme a SES, 769 mil pessoas estão com a vacinação incompleta no Estado ou não foram registradas no Ministério da Saúde. "Espero o dia em que não vamos ter nenhum óbito (em função da doença) no Estado, mas internação zero é difícil. Nós conseguimos completar uma semana sem óbitos no Conceição. No pico (da pandemia) até metade do ano tinha óbitos diários", afirma.

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Tendência de redução nas internações 

Assessora da Diretoria Médica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), a epidemiologista Jeruza Lavanholi Neyeloff avalia que houve redução importante das internações em leitos de terapia intensiva. "Existe uma tendência de redução mais tímida, até porque o número atual é mais baixo. Mas vai continuar diminuindo devagar", frisa. Neyeloff afirma que não há estudos sobre a estabilidade recente das hospitalizações, mas aponta algumas hipóteses para o cenário atual. Algumas coisa podem estar acontecendo, pode ser a sobreposição do avanço da vacinação com a entrada da variante Delta no Estado, que acabaram se 'equilibrando'", compara.

Ela destaca que mais de um fator pode estar acontecendo ao mesmo tempo. "A Delta causaria aumento de casos, mas encontrou uma população recentemente vacinada, e isso ajudou a não aumentar os casos. Mas são hipóteses, não tem um estudo aprofundado sobre isso", pondera. No HCPA, ela explica que muitos pacientes contaminados pela Covid-19 acabam permanecendo mais tempo no Centro de Tratamento Intensivo (CTI). Ao reforçar a importância da vacinação, Neyeloff explica que as hospitalizações por Covid-19 têm dois grupos definidos: metade é de idosos, com média de idade de 72 anos, que apresentam comorbidades e tomaram as duas doses da vacina; e a outra metade é de pessoas mais jovens com esquema vacinal incompleto.

Ela ressalta que a ampliação da cobertura vacinal reduz a circulação do vírus, o que também reflete na diminuição das internações. "A ocupação de leitos é uma preocupação constante, pois estamos trabalhando com número de leitos muito acima do que era confortável", destaca. A assessora reforça que desde o início da pandemia as equipes de saúde, mesmo sobrecarregadas, fazem esforço para garantir o atendimento da população, com a disponibilização de leitos extras. Neyeloff considera precoce falar no fim da pandemia, mas afirma que as pessoas têm que fazer "cálculos de riscos".

"Não sou fã de todo mundo trancado o tempo todo. É preciso escolher opções que nos dão sociabilidade, que nos permitem ter uma vida mais feliz, com alguma segurança. Se tiver todo mundo vacinado e ao ar livre, tudo bem. Em ambiente fechado é preciso uso de máscaras", observa. "Precisamos começar a conversar sobre redução de riscos, tomando escolhas do que é possível fazer", completa.

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