Oferta de ônibus não aumenta com a retomada de parte do comércio em Porto Alegre

Oferta de ônibus não aumenta com a retomada de parte do comércio em Porto Alegre

Algumas linhas tiveram problemas de superlotação

Gabriel Guedes

Passageiros seguem aguardando por muito tempo nas paradas de ônibus

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Quem imaginava que a reabertura de parte do comércio, nesta terça-feira, poderia resultar em uma oferta maior de ônibus em Porto Alegre, acabou se enganando. Passageiros ficaram aguardando nas paradas por um bom tempo e algumas linhas tiveram problemas de superlotação. 

Isso porque desde o dia 30 de abril, a oferta de viagens está sendo 30% do que seria de um dia útil comum, antes da pandemia. Foram desativadas 31 linhas e houve uma redução de viagens no horário de pico em 138 linhas. 

Parte delas passou a operar somente nos horários de concentração da manhã (das 5h às 9h) e da tarde (16h às 19h). Nos domingos, a oferta está sendo de 31%, com redução de 69% em relação a um domingo típico, antes das restrições de circulação. 

O presidente da Empresa Pública de Transportes e Circulação (EPTC), Fábio Berwanger, afirmou que o órgão está atento às situações e ajustando o sistema para que se reduza alguns problemas.

“Meu marido pega ônibus e trem para ir trabalhar todo dia. Ele precisa estar no trabalho às 7h. Antes ele pegava às 5h30min. Agora só pode pegar às 6h30min e acaba chegando atrasado. No começo, quando mudou, chegou a ficar 1h30min na parada”, contou a dona de casa, Cristiane Bonifácio, 41 anos, que mora no bairro Cristal. 

Já a funcionária de um supermercado, que mora no bairro Mário Quintana, zona Norte da Capital, Ivete Silva, 35, contou que os poucos horários têm feito os ônibus ficarem cheios. “Hoje até não estava lotada. Hoje foi tranquilo. Mas também tem dias em que era para passar 7h e está passando 7h30min”, relatou.

Passageiros seguem aguardando nas paradas. Foto: Alina Souza

Reabertura não teve impacto no transporte público

De acordo com Berwanger, o incremento de trabalhadores provocado pela reabertura de parte do comércio, nesta terça-feira de manhã, não teve impacto significativo no transporte público. “Está sendo absorvido. Principalmente porque permitimos dez passageiros em pé”, avaliou. 

O presidente afirmou que a EPTC tem feito uma fiscalização bem específica. “Ontem (segunda-feira), por exemplo, fizemos um ajuste e colocamos um ônibus articulado no lugar de um comum na zona Norte”, informou. 

Segundo Berwanger, é o que dá para se fazer neste momento, que ele classifica como atípico. “Não se pode exigir a colocação de uma frota maior, mas não queremos ter, de forma alguma, aglomeração de pessoas. Os intervalos entre os ônibus, fora dos horários de maior movimento, é o que permite a gente colocar os veículos nos horários de pico. Estamos numa situação anormal e estamos operando para contar com o mínimo. Há ociosidade durante o dia e temos uma escolha difícil”, explicou.

O gestor da EPTC afirmou que a empresa está analisando dados do transporte público da Capital para que possa detectar qualquer aumento de demanda e, assim, melhorar a oferta de veículos. “Quando ocorre este aumento de demanda, conversamos com os consórcios e vai se adequando a tabela-horária com as empresas. Vamos trabalhando no dia a dia”, detalhou. 

Até a regularização dos serviços, Berwanger recomendou o uso do aplicativo Cittamobi. “Para que o usuário possa se programar e não ficar exposto na rua. É o mais confiável”, sugeriu.


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