Para reitora da UFSCPA, RS está em momento crítico da pandemia

Para reitora da UFSCPA, RS está em momento crítico da pandemia

Lucia Pellanda observa mudança no perfil de internações, com mais jovens e casos mais graves

Flávia Simões*

Segundo a reitora, estamos entrando em uma situação mais crítica e perigosa do que o pico que enfrentamos no ano passado

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O aumento, na última semana, no número de casos de Covid-19 é um alerta para o que está por vir. Conforme o boletim de Hospitalizações do governo do Estado, os indicadores apontam que a região da Serra está prestes a entrar na bandeira preta de distanciamento controlado e a tendência é que os números sigam aumentando em função das aglomerações registradas no feriado de Carnaval.

A professora de epidemiologia e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda, afirma que, possivelmente, estamos entrando em uma situação mais crítica e perigosa do que o pico que enfrentamos no ano passado. Entre os motivos para a piora, está o aumento, de forma rápida, do número de casos, as variantes – que já chegaram no Estado – com maior nível de transmissibilidade e as equipes médicas que estão a um ano trabalhando sem pausas: “Podemos aumentar os leitos, mas não podemos fabricar pessoas”, advertiu, em entrevista ao programa "Esfera Pública" da Rádio Gauíba. 

A médica afirma que embora os estudos acerca das novas mutações ainda estejam no início, foi possível notar uma mudança no padrão das internações para um perfil de pessoas mais jovens e casos mais graves. Apesar das festas de fim de ano não terem apresentado o aumento esperado no número de casos, Lucia alerta que o processo não se repetirá em função dessas novas variantes. “Quanto mais tempo o vírus fica no ar, maior a possibilidade de sofrer mutações”, explica.

Outro alerta que a médica faz é a respeito da lotação de leitos e, consequentemente, a falta deles. “Não é só pra Covid-19. Quando falta leito, falta para todo mundo. Falta pra quem infartou, pra quem teve derrame, pra quem tá com braço quebrado. É uma questão que todos precisamos pegar junto.” 

Volta as aulas presenciais não é recomendada

Apesar do retorno às aulas presenciais já ter começado em algumas instituições, Lucia indica que essa não é a melhor escolha no momento e o ideal seria esperar, pelo menos, 14 dias para verificar o avanço dos casos. “O que está realmente prejudicando são as aglomerações. Se não houvesse festas clandestinas e aglomerações seria mais fácil para toda sociedade funcionar. É muito mais lógico uma escola funcionando do que uma festa, mas não é isso que está acontecendo”, disse. A médica ainda esclareceu que há algumas semanas atrás o risco apresentado não seria o mesmo. “Não é o momento de pensar em nenhuma liberação. Acho possível a volta, mas com muito cuidado, e daqui a pouco”, finalizou. 

Reforçando as medidas de prevenção, a reitora explicou que no momento o que deve ser feito é manter o distanciamento e seguir os protocolos indicados. Afirma, ainda, que é possível fazer algumas atividades, como uma caminhada ao ar livre utilizando máscara. 

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*Com supervisão de Mauren Xavier


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