Pesquisa identifica características socioeconômicas de pessoas com autismo no RS

Pesquisa identifica características socioeconômicas de pessoas com autismo no RS

Das 4.074 pessoas pesquisadas em 259 municípios gaúchos, 79% recebem até um 1,5 salário mínimo

Felipe Samuel

Dados foram apresentados em cerimônia no Palácio Piratini

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A regulamentação da Carteira de Identificação do Transtorno do Espectro Autista (Ciptea), em 2021, representou um avanço nas políticas públicas e permitiu a construção de uma base de dados sobre os autistas no Rio Grande do Sul. Com o objetivo de aperfeiçoar as iniciativas voltadas a esse público, o governo do Estado divulgou nesta terça-feira, no Palácio Piratini, a primeira pesquisa sobre as Características da População com Ciptea.

Realizada de 18 de junho de 2021 a 18 de março de 2022, com 4.074 pessoas e suas famílias de 259 municípios gaúchos, a pesquisa realizada pela Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pcd e Pcah no RS (Faders) identificou características socioeconômicas de gaúchos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A diretora da Faders, Ana Flávia Beckel Rigueira, afirmou que a pesquisa vai permitir a elaboração de políticas públicas adequadas e que atendam as demandas dessa população.

Ao detalhar os números da pesquisa, Ana Flávia explicou que 80% das pessoas são do sexo masculino e 20% do sexo feminino, o que confirma estudos realizados nos Estados Unidos, que apontam que o número de meninos com TEA é quatro vezes maior do que o de meninas, ou seja, o resultado indica que para cada 1 menina com TEA, há 4 meninos com TEA. “O autismo está ligado à questão genética e de gênero”, explicou. Conforme a pesquisa, 21% possuem outras deficiências além do autismo. E 25% dos autistas têm familiares com TEA, o que confirma a influencia da hereditariedade nos diagnósticos. 

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Os dados apontam ainda que 79% recebem até um 1,5 salário mínimo. Do grupo pesquisado pela Faders, o maior número de pessoas com TEA tem entre 0 e 15 anos de idade, o que representa 84,87%. Ela destacou que a maioria dos diagnósticos é realizada até os 7 anos. “Em torno de 57% dos casos são feitos entre 0 a 3 anos. Isso é muito significativo para pensar na questão da política pública, porque quanto mais cedo a prevalência do diagnóstico precoce, mais cedo essa pessoa pode ser atendida com terapias e melhor pode ser o diagnóstico com relação ao desenvolvimento”, afirmou.

O diretor da Faders, Marquinhos Lang, afirma que a divulgação da pesquisa é um momento histórico e revela que praticamente 80% dos autistas teriam direito ao passe livre, uma vez que têm renda per capta igual ou inferior a um salário mínimo e meio. “De 10 autistas, 8 têm esse direito, mas se pegarmos os encaminhamentos para a Faders é praticamente zero. As pessoas não vão atrás porque não sabem quais são os seus direitos”, observou. 

Representante da Rede Gaúcha Pró-Autismo (RGPA), Sheila Ferreira Menegotto explica que a entidade reúne 43 associações de vários municípios gaúchos. Conforme Sheila, a confecção da Ciptea e o cadastramento de autistas possibilitaram a coleta de dados. Além de aperfeiçoar o serviço oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a iniciativa visa facilitar o acesso de autistas a escolas e ofertas de emprego. “Que possamos avançar com esses dados em políticas públicas, aprimorando o atendimento realizado pelo SUS”, frisou.

A secretária da Igualdade, Cidadania, Direitos Humanos e Assistência Social, Marcia de la Torre, afirmou que a pesquisa mostra uma evolução significativa da trajetória do programa Te Acolhe, lançado em abril de 2021, e que o “projeto tira da sombra milhões de famílias”. Marcia ressaltou que a pesquisa preenche uma lacuna histórica e reúne informações de diversas áreas, como assistência social, educação, saúde, trabalho e renda. “É um banco de dados precioso e vai servir para estabelecer políticas públicas específicas para autismo e avaliarmos resultados dessas políticas”, completou.


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