Pesquisa recupera documentos do Dops que foram queimados durante a ditadura
capa

Pesquisa recupera documentos do Dops que foram queimados durante a ditadura

Arquivos mostram relação de alunos e professores da USP com a perseguição militar

Por
AE

publicidade

A Comissão da Verdade da USP recuperou cópias de milhares de documentos que haviam sido queimados em 1982. Os papéis estavam no arquivo do Departamento de Ordem Política e Social (Dops). Eles mostram que, dos 434 mortos na ditadura, 47 tinham relação com a universidade - 39 alunos e ex-alunos, seis professores e dois funcionários. A Comissão ouviu professores e alunos perseguidos.

A USP foi atingida desde 1964 com o afastamento de professores como os sociólogos Fernando Henrique Cardoso e Florestan Fernandes, o físico Mário Schenberg, os arquitetos João Batista Vilanova Artigas e Paulo Mendes da Rocha, os médicos Luiz Hildebrando Pereira da Silva e Isaías Raw, a historiadora Emília Viotti da Costa e Caio Prado Junior e o filósofo José Arthur Gianotti.

Entre os documentos achados há listas de professores "ideologicamente suspeitos" cuja contratação foi vetada por reitores. Esse foi o caso dos arquitetos Ricardo Ohtake - ato do reitor Orlando Marques de Paiva - e do arquiteto Décio Tozzi, barrado por dois reitores - Miguel Reale, em 1972, e Salim Simão, em 1977.

"Isso destruiu minha carreira acadêmica", contou Tozzi, que projetou o parque Villa Lobos e se tornou professor da USP em 1982. O jurista Miguel Reale Junior diz que seu pai evitou perseguições maiores na USP quando foi reitor.