Geral

Presidente da IBM alerta para carência de profissionais de tecnologia no Brasil

Reformulação curricular é alternativa para ingresso de profissionais de tecnologia ao mercado de trabalho

Presidente da IBM, Marcelo Braga defendeu um ensino profissionalizante direcionado ao mercado de trabalho
Presidente da IBM, Marcelo Braga defendeu um ensino profissionalizante direcionado ao mercado de trabalho Foto : Matheus Piccini

A transformação digital, os reflexos nas operações dos negócios, a importância da segurança cibernética e a escassez de mão de obra qualificada foram alguns dos temas abordados durante o evento Tá na Mesa, na sede da Federasul, em Porto Alegre. Ao palestrar ontem sobre o tema "A Nova era da transformção", o presidente da IBM, Marcelo Braga, afirmou que é preciso uma reformulação curricular do Ensino Médio no Brasil para possibilitar o ingresso mais rápido dos profissionais de tecnologia ao mercado de trabalho.  

Braga destacou que mais de 790 mil vagas devem estar abertas para o setor até 2025, o que indica a carência e a fuga de bons profissionais do país. Ele avaliou que é preciso priorizar um ensino profissionalizante mais rápido e direcionado para o que o mercado precisa. "Não exigimos na IBM, e na maioria das empresas de tecnologias, pessoas serem formadas, porque não dá tempo para esperar nove anos de formação para você ter o profissional. O profissional técnico é absolutamente importante para cobrir esse 'gap'", destacou.

Braga sustentou que as empresas privadas podem auxiliar no desenvolvimento de políticas voltadas à educação e ao ensino técnico e profissionalizante e contribuir com políticas públicas. "A tecnologia traz uma eficiência tão ampla. E sem esses investimentos agora, o déficit que o Brasil pode entrar em relação a outros países que fazem investimentos mais intensos, que hoje já é grande, tende a ser maior", alerta. Braga ressaltou ainda que a transformação digital se acentuou durante a pandemia, com aceleração de investimentos das organizações e a necessidade de buscar por agilidade operacional e flexibilidade.

O presidente da Federasul, Anderson Trautman Cardoso, disse que a entidade acompanha essas mudanças, que são motivo de discussões junto à sociedade. Conforme Cardoso, é preciso estar na dianteira desta 'verdadeira revolução digital'. "Temos a convicção de que teremos pela frente um século pautado pela inovação e pelo desenvolvimento tecnológico", observa. O dirigente destaca que a evolução do processo digital nos últimos 40 anos. "Vimos uma verdadeira revolução gerada pela emergência da digitalização. Mudaram os negócios, mudou a nossa sociedade, mudamos nós. E essa transformação não acabou, pelo contrário, ela segue, e segue de maneira acelerada", completa.