Quando vou ser vacinado? Site estima em quanto tempo você será imunizado contra a Covid-19

Quando vou ser vacinado? Site estima em quanto tempo você será imunizado contra a Covid-19

Secretaria Estadual de Saúde (SES) alerta que projeção realista dependeria de muitos outros fatores

Gabriel Guedes

Site fornece uma previsão mais otimista sobre vacinação

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Na tentativa de prever aquilo, que neste momento, é um tanto imprevisível, mesmo utilizando dados reais, uma ferramenta na web fornece uma previsão mais otimista do que a realidade de quando uma pessoa será vacinada contra a Covid-19, até mesmo aos mais jovens. Quem aguarda ansiosamente pelo dia de receber a primeira dose da vacina contra a doença pode matar a curiosidade no site "Quando vou ser vacinado", que informa quando chegará a sua vez na fila para ser imunizado. Mas não se trata de bola de cristal ou "chutômetro". Basta informar a idade e o estado onde será vacinado, que o site, baseado em informações sobre as doses já aplicadas, tamanho da população e no histórico do Sistema Único de Saúde na campanha de vacinação contra o H1N1 em 2020, faz o cálculo e retorna com a previsão em meses e dias. Contudo, alerta a Secretaria Estadual de Saúde (SES), uma estimativa realista, de fato, dependeria de muitos outros fatores.

Em uma simulação, realizada nesta sexta-feira, com uma pessoa com 38 anos de idade e residente no Rio Grande do Sul, o site informou que ela seria vacinada em 2 meses e 6 dias. Mas bastava mudar o estado, para Santa Catarina, por exemplo, que esta espera já se torna 4 meses. Segundo o especialista em tecnologia da informação paulista e um dos idealizadores da iniciativa, Renan Altendorf, a diferença é fruto da velocidade média de vacinação pelos estados e até mesmo pela forma de divulgação de cada um. Enquanto os catarinenses divulgam dados a cada três dias, o Rio Grande do Sul atualiza em tempo real. Além disso, de acordo com o criador da calculadora, o RS conseguiu acelerar bastante a aplicação nesta semana. Mas há dias e casos, dependendo do lugar, em que a espera pode ser estimada em tempo muito maior. " A ideia não é frustrar a expectativa de ninguém, mas mesmo em cenários otimistas os mais jovens podem ter que esperar até 2 anos pela primeira dose no ritmo atual", adianta.

Os dados utilizados pela plataforma são atualizados diariamente com a média dos últimos sete dias de vacinação por estado e que são coletados diariamente por robôs - os bots -e validados um a um pela iniciativa "Coronavírus Brasil", que agrega nas redes sociais dados e notícias sobre a Covid-19 desde o começo da pandemia no país. Já a projeção da população brasileira e o recorte dos estados por idade são dados disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para os grupos prioritários, leva-se em consideração a estratégia de vacinação contra Influenza/H1N1 de 2020 disponibilizado pelo DataSUS, o sistema de informações do SUS. "Gostaríamos muito de ter microdados de municípios de uma maneira fácil, mas essa informação é limitada e nesse momento o melhor é contabilizar de forma estadual", acrescenta.

O professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e epidemiologista Paulo Petry analisou a ferramenta. "De fato são previsões difíceis de fazer. Mas este estudo parece bastante sério, com dados oficiais", confirmou. Mas Petry afirma que há um problema. "Dependemos da remessa das vacinas. Mas esta é uma projeção levando em conta a população e o que foi feito nos grupos anteriores. Mas nunca se tem certeza de que vamos continuar neste ritmo ou eventualmente vamos aumentar o ritmo de vacinação por receber mais vacinas. Mas é uma aproximação bastante válida. Acho que dá uma ideia, se não precisa, mas bastante aproximada", pontua. Altendorf admite que ainda é necessário fazer aperfeiçoamentos. "Muitas pessoas especializadas entraram em contato para ajudar a melhorar as previsões, inclusive pessoas da área pública, que já trabalharam com vacinação, e com isso estamos melhorando o tempo todo a ferramenta", destaca.

Em nota, a SES informou que não se tem como fazer estimativas e assim, como Petry, aponta fatores como os prazos dependerem da remessa de novas doses e dos quantitativos que serão destinados ao RS. "O Ministério da Saúde ainda não enviou cronograma com data e quantitativos das próximas remessas de doses", acrescentam. Nesta sexta-feira, depois do atraso de vacinas, falta de doses e das cinco trocas do cronograma de entrega dos imunizantes no Brasil, o Ministério da Saúde decidiu que não vai mais divulgar a previsão de doses que espera receber a cada mês. "O site também é uma forma de protesto pela lentidão e falta de doses disponíveis", encerra o criador do "Quando vou ser vacinado".

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