RS volta a registrar adoção internacional após quase uma década

RS volta a registrar adoção internacional após quase uma década

Atualmente, existem 4,8 mil pretendentes habilitados no Rio Grande do Sul para adoção

Jessica Hübler

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Quatro crianças gaúchas da mesma família, com idades entre dois e oito anos, foram adotadas por um casal europeu durante a pandemia. O processo começou no final de 2019. Conforme a secretária-executiva da Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional do Rio Grande do Sul e juíza-corregedora, Nara Cristina Neumann Cano Saraiva, o Estado não realizava uma adoção internacional desde 2011. “Acreditamos que havia e ainda há desconhecimento acerca do tema, ou mesmo até um certo receio, um mito de que não seria uma possibilidade segura”, afirma.

Conforme Nara, as quatro crianças foram indicadas para adoção internacional no final de 2019, processo que ocorre quando não são localizados no Sistema Nacional de Adoção (SNA) pretendentes interessados em determinado perfil no país. Neste caso específico, um grupo de irmãos. “A partir daí realizamos um cruzamento de dados para verificar se temos pretendentes internacionais e encontramos um casal de estrangeiros que havia demonstrado interesse em conhecer as crianças”.

A aproximação virtual entre as crianças e o casal teve início ainda em 2019. “Todo o processo é acompanhado por assistentes sociais e psicólogos. Os laços foram se estreitando, tanto de um lado, quanto do outro, recebemos manifestações positivas e o casal chegou ao Brasil em março, em plena pandemia”, conta. De acordo com Nara, o casal e as crianças passaram por um período de 30 dias chamado de “estágio de convivência”. “Ao final, sempre acompanhados por técnicos, as avaliações foram positivas e a sentença foi de procedência da adoção, então os pretendentes retornaram ao país de origem com os filhos adotados”, relembra. 

Todo o processo foi feito durante a pandemia da Covid-19. “Fizemos tudo de uma forma muito positiva para que a adoção resultasse de forma adequada e foi o que aconteceu, logramos êxito ao longo do estágio de convivência, as crianças efetivamente saíram do país adotadas, não se desfez o grupo de irmãos e isso é bem importante”, afirma. Pelos próximos dois anos, depois da adoção, o caso continua sendo acompanhado e as autoridades estaduais recebem relatórios periódicos das equipes técnicas que acompanham a família no país de origem dos pretendentes. “Após esse período se finaliza o expediente, com a tranquilidade de que fizemos todo o processo com muita cautela e que isso resultou nessa possibilidade bem feliz da adoção de quatro crianças”, define.

Adoção no RS

Atualmente, segundo Nara, existem 4,8 mil pretendentes habilitados no Rio Grande do Sul para adoção. Entretanto, são 303 crianças e adolescentes aptos a adoção no Estado, o que representa menos de 10% dos interessados. "Essas 303 crianças ou adolescentes não fecham com o perfil declinado pelos pretendentes. A maioria busca o recém nascido ou a criança pequena de zero a oito anos", explica.

As maiores dificuldades se apresentam para adolescentes, grupos de irmãos ou para crianças e adolescentes com alguma deficiência física ou mental. "Em razão dessas dificuldades desenvolvemos vários projetos de adoção tardia, entre eles o aplicativo Adoção, que tem como objetivo aproximar crianças e adolescentes que estão à espera de um lar e suas futuras famílias. Fizemos também o dia do encontro, no qual oportunizamos um encontro dos pretendentes com as crianças, porque concluímos que essas iniciativas acabam flexibilizando os perfis", destaca. Nos últimos três anos foram feitas 99 adoções a partir desses projetos. "A infância passa muito rápido e não combina com o tempo do processo, então temos buscado dar agilidade a esses encaminhamentos", reitera.


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