Secretaria Nádia Gerhard critica atuação da equipe de abordagem no trato com moradores de rua

Secretaria Nádia Gerhard critica atuação da equipe de abordagem no trato com moradores de rua

Titular do Desenvolvimento Social disse que questões ideológicas dos servidores da prefeitura impedem a adesão a programa Mais Dignidade

Henrique Massaro

Secretária disse que pasta tem disponível R$ 1,8 milhão para projetos com moradores de rua para ser gasto até dezembro e que terá que ser devolvido

A secretária de Desenvolvimento Social e Esporte de Porto Alegre, Nádia Gerhard, disse nesta quarta que as equipes de abordagem social – grupos formados por integrantes da sua pasta e da Saúde –, têm péssima execução para convencer moradores de rua a sair dessa condição. Em palestra para integrantes da Associação das Empresas dos Bairros Humaitá e Navegantes (AEHN), afirmou que o programa Mais Dignidade oferece recursos e opções de moradia, ensino e alimentação para pessoas em situação de rua, mas que questões ideológicas dos servidores da prefeitura impedem a adesão.

Através da iniciativa, o Executivo pode destinar R$ 500 mensais para um aluguel de um imóvel, hostel, hotel ou pousada para moradores de rua, que, de acordo com a secretária, ainda têm direito a uma bolsa-auxílio de R$ 430 para cursos profissionalizantes, passagens de ônibus e cesta básica. Apesar disso, disse Nádia, no máximo 46 pessoas aderiram ao Mais Dignidade na Capital. Já o número cidadãos de outros municípios que viviam nas ruas de Porto Alegre e aceitaram retornar para suas famílias chega a 77, o que também é considerado baixo.

“A maioria das minhas equipes de rua não convence eles a sair, estimulam a ficar, porque são pessoas que tem uma ideologia de que tem o direito a ficar na rua. São concursados, que não tenho como dizer que não é para fazer”, afirmou a secretária. Segundo ela, sua pasta tem disponível R$ 1,8 milhão para projetos com moradores de rua para ser gasto até dezembro e que terá que ser devolvido. “Minha secretaria tem muito dinheiro, só que a execução é péssima. É lenta, demorada, a burocracia administrativa do município, do Estado e da nação é um paquiderme andando em uma cristaleira. Além de demorada destrói com as coisas boas.”

Nádia falou que pretende solucionar essa questão com a criação de um tridígito somente para as questões de vulnerabilidade. Atualmente, as equipes de abordagem social podem ser acionadas pela população somente através do 156, referente a todos os serviços da prefeitura. A titular do Desenvolvimento Social ainda afirmou “não ser digno” a doação de comida, esmola e banho a moradores de rua, que, segundo ela, estimula as pessoas a ficarem nessa situação. “Aquele que eu ofereço um prato de comida tem que me dar uma contrapartida”, disse, ao se referir à importância do trabalho e do estudo.

Confira a fala da secretária acerca do tema:

 

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