Servidores da Justiça Estadual protestam por reposição salarial

Servidores da Justiça Estadual protestam por reposição salarial

Grupo bloqueou parte da avenida Borges de Medeiros, em direção ao bairro

Felipe Samuel

Com carrinhos de supermercados, grupo ocupou a via com cartazes que exibiam o preço de alimentos

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Servidores da Justiça Estadual protestaram hoje em frente ao Tribunal de Justiça do RS (TJRS), na Capital, cobrando por reposição salarial de 53% e aumento do auxílio-condução. Os manifestantes exibiam cartazes com mensagens criticando os oito anos sem reajuste da categoria. O grupo bloqueou parte da avenida Borges de Medeiros, em direção ao bairro, em frente à sede do Tribunal.

Mobilizados por reposição salarial, representantes da Associação dos Oficiais de Justiça do Rio Grande do Sul (Abojeris) e do Sindicato dos Servidores da Justiça do RS encenaram empurrar veículos em alusão ao preço alto dos combustíveis. Com carrinhos de supermercados, outro grupo ocupou a via com cartazes que exibiam o preço de alimentos e do gás de cozinha, numa referência ao aumento do custo de vida. Após o protesto, o grupo permaneceu na praça Santa Isabel onde manteve vigília pela regulamentação do Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS), votado pelo Órgão Especial do TJRS.

Diretor jurídico do Sindjus, o técnico judiciário Osvaldir Rodrigues da Silva explica que o objetivo do protesto é mostrar á sociedade que os trabalhadores do Judiciário estão sem reajuste salarial há oito anos. "As perdas inflacionárias chegam a quase 54% neste período, não aguentamos mais ficar com salário congelado. Queremos demonstrar para a sociedade que as pessoas usam seu carro para trabalhar, a sua gasolina, e no posto e no supermercado a inflação corrói o salário a cada dia", afirma.

Silva destaca que a encenação de empurrar os carros simboliza as dificuldades enfrentadas pelos oficiais de Justiça. "Isso significa que quando ele vai ao supermercado só pode comprar metade que do que comprava há oito anos atrás. Os oficiais de Justiça empurrando os carros significa que a gasolina está terminando, significa oito anos sem reposição no auxilio-condução e nos seus salários", completa.

Conforme Silva, a implementação do plano de carreira representa uma vitória da categoria e para aqueles que ingressarem no Judiciário. "Daqui para frente, os trabalhadores que entram no Judiciário vão ter uma carreira. Eu entrei há 22 anos no Judiciário, e assim como entrei estou, não tem evolução nenhuma, ao contrário", critica. Diretor do Sindjus, o oficial de Justiça Valdir Bueira da Silva engrossava a manifestação e chamava atenção para necessidade de regulamentação da carreira.

Para Bueira, a implementação imediata do plano de carreira é fundamental. "Não temos essa garantia de que as regulamentações vão ser uma realidade imediata na vida dos trabalhadores", observa. O dirigente defende que o TJRS encaminhe projeto à Assembleia Legislativa pedindo reposição salarial de 53%, que corresponde, segundo ele, à inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no período.

"O mais importante do plano de carreira é que seja implementado o mais rápido possível, com as promoções e progressos esse ano que atingem todas as categorias, todos os cargos. Especificamente nos oficiais de Justiça, a majoração do auxílio-condução, que também está congelado há oito anos", reforça. Conforme Bueira, o valor do auxílio-condução é de R$ 2,2 mil. E serve para custear manutenção do veículo, colocar combustível, entre outras coisas.

"Em 2014, o litro de gasolina custava R$ 2,90 e hoje custa cerca de R$ 8. No entanto, os oficiais de Justiça recebem o mesmo valor de 2014", explica. "Estamos pleiteando 100 URCs (Unidade de Referência de Custas). Isso daria cerca de R$ 4 mil que é necessário para que os oficiais de Justiça possam custear todas as despesas sem ter que tirar do seu salário para poder complementar. Isso vai quase que dobrar o valor", completa. Entre ativos e aposentados, são cerca de 2 mil oficiais de Justiça, dos quais 1,1 mil ativos.


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