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Sindicalistas protestam no Salgado Filho contra terceirizações

Câmara dos Deputados deve retomar nesta quarta votação do PL 4330

Sindicalistas protestam no aeroporto Salgado Filho contra terceirizações
Sindicalistas protestam no aeroporto Salgado Filho contra terceirizações Foto : Jerônimo Pires / Rádio Guaíba / Especial / CP
Integrantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) reuniram-se na manhã desta quarta-feira no saguão do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, para abordar os deputados federais gaúchos que viajaram a Brasília. O objetivo dos sindicalistas foi convencer os parlamentares a votarem contra o Projeto de Lei (PL) das Terceirizações. A Câmara dos Deputados deve retomar hoje a votação do texto que regulamenta as terceirizações nas atividades-fim. Os deputados já aprovaram o texto-base do PL 4330/2004, mas precisam concluir a análise dos destaques e das emendas apresentados.

As duas últimas sessões em que a matéria foi debatida foram marcadas pela apresentação de várias emendas propondo mudanças mais profundas no texto do relator, deputado Arthur Oliveira Maia (SD-BA). Segundo o presidente da CTB no Estado, Guiomar Vidor, as entidades pedem aos parlamentares que revertam a decisão na Câmara dos Deputados com a aprovação de emendas que interessam aos trabalhadores.

“Nesta tarde, faremos um debate para esclarecer ainda mais aos trabalhadores sobre os malefícios desse PL 4330 que é, no nosso entendimento, o maior golpe sofrido pela classe trabalhadora desde 1943, quando nós tivemos implantada a CLT no Brasil”, disse o presidente da CTB/RS.

Vidor explicou que há emendas que, se aprovadas, podem garantir a permanência de direitos aos trabalhadores. É o caso da proposta que proíbe a terceirização para atividades-fim, considerada a essência do PL 4330. Além disso, as centrais também afirmam que são favoráveis à proposta que garante que a empresa contratante seja responsável pelo pagamento aos trabalhadores caso a contratada não o faça.

“Existem outras emendas de interesse dos trabalhadores que estabelecem, por exemplo, a responsabilidade solidária por parte do tomador de serviço. Ou seja, se o trabalhador prestar um serviço a uma determinada empresa e a terceirizada não efetuar o pagamento, a empresa que contratou o serviço deverá pagar os direitos desse trabalhador. Ele não poderá ter os seus direitos ameaçados. Essas e outras questões que estão sendo debatidas ainda na Câmara dos Deputados e que nós pretendemos ver aprovadas naquela Casa”, declarou Vidor.

À tarde, os sindicalistas promoverão ato na Justiça do Trabalho, na Capital. Além de Porto Alegre, há atos programados para ocorrer em Brasília e outras cidades do país.

Câmara retoma votação da lei da terceirização

Depois do impasse na semana passada que levou ao adiamento, os deputados devem retomar hoje a votação do texto que regulamenta e amplia a terceirização no mercado de trabalho do Brasil. O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), afirmou nesse domingo que há acordo entre os partidos da base e parte da oposição para concluir a votação do projeto.

De acordo com Guimarães, os partidos estão fechando consenso sobre emendas para mudar trechos do texto-base já aprovado em plenário. “Acho que tende a ser uma votação rápida porque já tem acordo”, disse. O acerto envolve três pontos: a responsabilidade solidária que obriga empresas contratantes a responderem pelo pagamento de direitos trabalhistas a funcionários da terceirizada, a redução de 24 para 12 meses no tempo mínimo para ex-funcionário de empresa contratante prestar serviço como terceirizado e cobrança de 5,5% da receita de terceirizada não especializada em fornecer mão de obra como INSS —hoje, a categoria recolhe 20% sobre a folha de pagamento.

As conversas também avançaram, segundo o líder governista, com o PSDB. Na semana passada, tucanos e petistas se uniram para adiar a votação das emendas, o que irritou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Está tendo conversa (com o PSDB), porque metade da bancada (tucana) está dividida”, disse.

Favorável ao texto, Cunha teve de postergar a votação em uma semana após sentir que o clima político tinha mudado e que havia uma ameaça do projeto ser retirado de pauta com a aprovação de um requerimento apresentado pelo PSD. “O clima para a votação será certamente melhor do que na semana passada. Espero que o final seja positivo”, disse Cunha.

Desde o princípio, PT, PCdoB e PSol foram contrários ao projeto. Diante das manifestações conduzidas pela Central Única dos Trabalhadores e da forte oposição ao projeto nas redes sociais, até metade dos deputados tucanos indicaram ter mudado de opinião quanto ao texto. Foi necessária a atuação do presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves (MG), para que os tucanos voltassem a defender o texto base já aprovado. “Há um discurso falso de que o projeto é contrário aos trabalhadores”, afirma Cunha.