Sistema penitenciário contabiliza quatro mortes por Covid-19 e 751 apenados infectados no RS

Sistema penitenciário contabiliza quatro mortes por Covid-19 e 751 apenados infectados no RS

Do total de presos com coronavírus, 89% deles estão no regime fechado

Por
Gabriel Guedes

publicidade

O sistema prisional gaúcho já soma 751 casos de Covid-19 entre os detentos que estão nos regimes fechados e semi-aberto. Destes, 89% estão no sistema fechado, o que corresponde a 671 apenados. Dos que se contaminaram, 317 já estão recuperados e três morreram. Os dados constam no boletim diário da Secretaria Estadual da Administração Penitenciária (Seapen), edição do dia 2, onde consta também que que há outros 173 casos suspeitos. Dos 25 estabelecimentos prisionais, apenas 10 não têm nenhum caso do novo coronavírus.

A Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), a Cadeia Pública de Porto Alegre (CPPA) - antigo Presídio Central - e os presídios estadual de Rio Grande e Lajeado acumulam os maiores números de infectados pela doença. O RS tem 39.589 presos. Mas nesta segunda-feira, ocorreu uma quarta morte, na PEJ, de um homem de 35 anos.

Na Penitenciária do Jacuí, em Charqueadas, 324 estão sendo mantidos isolados. O número corresponde a mais de 12% da população carcerária, que atualmente é de 2.561 apenados. Na Cadeia Pública de Porto Alegre, são 36 entre 4.160 presos. Entretanto, é preciso lembrar que o local foi interditado pela Vara de Execuções Criminais (VEC) no dia 21 de julho, medida que restringiu a entrada de novos detentos, bem como a movimentação para audiências e mudanças de galerias.

“A taxa de contaminação de pessoas presas é quase 4 vezes mais do que a população em geral, considerando apenas os presos na área de vivência”, alertou o juiz-Corregedor Alexandre de Souza Costa Pacheco.

Para a avaliação do magistrado, foi considerado o mesmo espaço temporal a partir do primeiro caso de Covid no RS e o primeiro no sistema prisional do RS. “Na área de vivência estão presos que já cumpriam pena e/ou que passaram pela triagem e isolamento de 14 dias. O quantitativo de 631 casos de Covid em presos da área de vivência é que ensejou a afirmação de que a taxa de contaminação é 4 vezes maior do que a da população em geral”, comparou Pacheco.

O diretor da CPPA, tenente-coronel Carlos Magno da Silva Vieira, afirmou que instituição, que é administrada pela Brigada Militar, tem um protocolo, que é seguido desde março. “Tem pedilúvio, realizado pulverização de produtos químicos para desinfecção. E nós usamos luvas, máscaras e face shield. O primeiro caso foi no mês passado”, relatou. E antes da interdição, segundo Vieira, quando ocorriam as movimentações dos presos, os detentos sempre utilizam máscaras. O diretor ainda afirma que o local ainda conta com quatro áreas de isolamento. Dos doentes do novo coronavírus, apenas três tiveram que ser hospitalizados e estão internados no Hospital Vila Nova, que é referência para a instituição.


Até o balanço divulgado no domingo, 4.546 presidiários foram testados para Covid-19. De acordo com o juiz-corregedor, a taxa de testagem da população prisional é maior do que a população em geral, embora esta possa realizar testes privados sem que sejam computados. “Reconhecemos o esforço da Seapen para cumprir todos os protocolos de segurança sanitária. Não fosse essa atuação, a situação seria muito mais crítica”, garantiu Pacheco.