Suspensão de atividades do Mercado Público preocupa comerciantes em Porto Alegre

Suspensão de atividades do Mercado Público preocupa comerciantes em Porto Alegre

Novas restrições entram em vigor na segunda-feira e passam a valer por 15 dias

Jessica Hübler

Novas restrições entram em vigor na segunda-feira e passam a valer por 15 dia

publicidade

A suspensão das atividades do Mercado Público que passará a valer por 15 dias a partir de segunda-feira preocupa a Associação do Comércio do Mercado Público Central (Ascomepc). Conforme anunciado pelo prefeito Nelson Marchezan Júnior na sexta-feira, a determinação deve integrar um novo decreto de medidas restritivas.

No sábado, o movimento no espaço era controlado, com um número baixo de pessoas na área interna e uma fila de espera no portão. Quem entrava no Mercado, usava máscara de proteção e seguia as orientações de distanciamento social. 

O sócio-proprietário da Banca 10, Celso Rossato, que comercializa ampla variedade de frutas e verduras, comentou que muitos clientes se mostraram insatisfeitos com a possibilidade de fechamento do mercado. "Os clientes discordam dessa postura, pois o Mercado é um grande centro de abastecimento da capital, com preços acessíveis", afirmou.

Além disso, Rossato também manifestou preocupação com o estoque da própria banca, de produtos perecíveis. "Da noite para o dia resolve fechar, prejudicando comerciantes e a população, sem comunicar a associação e, enquanto isso, as grandes redes seguem abertas, sendo que o Mercado é muito mais arejado do que muitos supermercados que vemos por aí", comparou. 

A presidente da Ascomepc, Adriana Kauer, disse que há muita preocupação com a suspensão das atividades do Mercado Público. “Temos o entendimento que o Mercado é o primeiro centro de abastecimento da cidade, muito antes de qualquer outro supermercado de Porto Alegre e tratar o Mercado como qualquer outra coisa que não seja essa finalidade, nos causa muita estranheza inclusive”, destacou.

De acordo com Adriana, o Mercado Público já vinha tratando de forma muito responsável sobre essa questão da Covid-19. “Tanto que os clientes não podiam entrar nas lojas externas ou internas, nem mesmo nas bancas, em todas elas também há disponibilização de álcool em gel, além de controle de temperatura dos funcionários”, reiterou. É uma situação muito ruim, segundo Adriana. “A maioria dos mercadeiros trabalha com produtos perecíveis como carnes, peixes, legumes, verduras e laticínios. O que vão fazer com todo o estoque se passarmos 15 dias fechados?”, questionou.

O abastecimento do Mercado foi feito, nos últimos meses, de forma muito responsável para atender a população. “E com isso também garantir que os preços não aumentassem, eles continuam os mesmos que vínhamos praticando antes da pandemia. É algo muito impactante e está sendo bastante difícil compreender isso”, reforçou.

Com relação aos prejuízos, Adriana destacou que o principal é a questão do estoque dos produtos perecíveis. “A maioria tem estoques altos para suprir a demanda dos clientes, estávamos já fazendo outros sistemas de cuidados como desinfecção no Mercado todo, o mesmo tipo que se faz inclusive em hospitais para o combate ao vírus, fizemos isso nas áreas comuns e nas lojas internas”, enfatizou.

O proprietário da tradicional Banca do Holandês, Sergio Lourenço, declarou que os permissionários não conseguem entender o critério para o fechamento. "A nossa função é suprir as necessidades da população, temos cerca de 106 famílias, pequenos comerciantes, dispostos a atender ao público com segurança", disse. Todos os procedimentos de segurança, de acordo com Lourenço, todos os protocolos estão sendo respeitados. 

"Se o problema é não estarmos medindo a temperatura dos clientes, nós vamos resolver, está faltando fundamento para fechar o Mercado", destacou, reforçando que todos os comerciantes estão apavorados. Loureço reiterou que a questão não é somente o prejuízo dos comerciantes, mas sim a falta de critérios para suspender as atividades de um espaço essencial, como é o Mercado Público. "Simplesmente dizem que vão fechar, isso é insano", assinalou.

Adriana ainda ressaltou que é possível sempre fazer “um pouco mais”. “Poderíamos deixar apenas um portão aberto, com controle de acesso de pessoas, tal qual estão exigindo dos supermercados. Não entendemos porque um supermercado pode funcionar e o Mercado Público que é um lugar muito mais arejado não”, comparou. Desde o início da pandemia, Adriana comentou que o funcionamento já vem respeitando o limite de 25% da capacidade, sem contar a parte de telentrega. “De repente poderiam deixar, para quem puder, fazer pelo menos as entregas a partir do Mercado Público”, sugeriu.

Com relação às medidas anunciadas pelo prefeito Nelson Marchezan Júnior na noite de sexta-feira, dentre as quais está incluída a suspensão de atividades do Mercado, Adriana assinalou que “infelizmente ninguém entrou em contato conosco para explicar o que vai acontecer nos próximos dias, tampouco para poder conversar sobre a situação real do mercado e as possibilidades que poderiam ser feitas”. “Tentar falar com alguém na Prefeitura está sendo bem difícil, estão todos bem preocupados, soubemos sobre o fechamento através da imprensa”, pontuou.

A Prefeitura de Porto Alegre não se manifestou sobre o assunto.


Mais Lidas


Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895