Taxa de ocupação de leitos de UTI se mantém estável em Porto Alegre

Taxa de ocupação de leitos de UTI se mantém estável em Porto Alegre

Os hospitais Moinhos de Vento e São Lucas operaram com lotação máxima de pacientes nesta segunda-feira

Felipe Samuel

Epidemiologista Paulo Petry alertou para o desgaste emocional dos profissionais de saúde

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Após registrar aumento nas internações por conta do novo coronavírus durante o fim de semana, a ocupação dos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) nesta segunda-feira em Porto Alegre apresentou queda, com 307 pacientes confirmados para Covid-19. No domingo, eram 315 pacientes que testaram positivo para a doença. Até o começo da noite, a taxa de ocupação geral, que também envolve internações por outras doenças, atingia 87,48%, com 720 leitos ocupados de um total de 837. Moinhos de Vento e São Lucas operavam com lotação máxima.

Doutor em Epidemiologia e professor de Epidemiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Paulo Petry, avaliou que os números refletem estabilização das internações. "Se dá em patamar elevado, com taxa de ocupação acima de 80%", destacou. Ele reforçou que os números são praticamente iguais aos registrados no final de agosto. Na avaliação de Petry, a estabilização em nível elevado gera 'sobrecarga' do sistema de saúde, com os principais hospitais referências no tratamento da doença operando com mais de 80% da capacidade.

Conforme Petry, como a taxa de ocupação de leitos de UTI se mantém acima de 80% na maioria dos hospitais, a população precisa seguir as recomendações da vigilância sanitária, como uso de máscaras de proteção e higienização das mãos, além de evitar aglomeração. "Em termos de epidemiologia, é uma certa estabilização, pois desce um pouco, sobe pouco (internações)", observou. Ele alertou, no entanto, para o desgaste de profissionais que estão na linha de frente de combate à Covid-19.

"São quase dez minutos de protocolo para vestir roupa adequada, lavar mãos, botar luvas. Isso vai cansando. As pessoas adoeceram e já voltaram. Tudo isso tem custo emocional, além do físico", ressaltou. Segundo Petry, o aumento das infecções na Europa, com escolas fechando por conta da disseminação do novo coronavírus, e a decisão de alguns países de voltar a adotar lockdown (fechamento) servem de alerta para o Brasil. "É uma doença que a gente não conhecia, ninguém esperava que fosse tão longa. Ao contrário de outras doenças infecciosas, o coronavírus não obedeceu esse padrão", explicou.


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