Usuários do CadÚnico enfrentam demora para atendimento em Porto Alegre

Usuários do CadÚnico enfrentam demora para atendimento em Porto Alegre

Mutirão realizado nesta terça-feira buscou atender moradores de seis bairros

Felipe Samuel

Mutirão atendeu seis bairros nesta terça-feira

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A procura para atualização de dados no sistema do Cadastro Único em Porto Alegre segue registrando movimento intenso nas unidades de atendimento. Com o objetivo de atender os moradores dos bairros Partenon, Agronomia, Santo Antônio, Vila São José, Aparício Borges e São João, a Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) realizou nesta terça-feira mais um mutirão. O atendimento também foi realizado ao público em subprefeituras de outros bairros.

Em outras unidades, como na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS), localizada na avenida João Pessoa, no Bom Fim, muita gente chegou cedo para garantir uma ficha de atendimento. Mesmo assim, ao meio-dia, a sala de espera seguia lotada. A solução encontrada por parte do público foi se acomodar nas cadeiras e aguardar a chamada para atendimento.

Preocupado em atualizar o cadastro, o pedreiro Luciano Rafael Pereira Grassa, 47, saiu do Partenon, onde reside, e às 6h30 já estava na unidade. Apesar de ser chegar cedo, ao meio-dia ainda não havia sido chamado. Após sofrer um acidente de bicicleta em setembro do ano passado, Grassa passou por duas cirurgias na clavícula. Mesmo com as intervenções cirúrgicas, ele segue em processo de recuperação, faz sessões de fisioterapia e mantém acompanhamento médico. “Sem o cadastro único eu não consigo pegar o auxílio-doença. Então é muito importante que eu faça o cadastro”, afirma. “Fiz duas cirurgias e não resolveu, porque que quebrei num local bem complicado, quase no final da clavícula. Não posso trabalhar”, justifica.

A auxiliar de limpeza Eliane Corrente Camargo, 51, saiu da zona Sul e chegou à unidade às 9h. Deu sorte de encontrar a ficha de número 117 de um usuário que tinha desistido do atendimento. “É muito importante fazer o cadastro porque eu tenho dois filhos e estou desempregada”, afirma. Ela afirma que a filha Gabriele, 20, que também está desempregada, acessou a última parcela do seguro-desemprego. E o filho, Gabriel, 19, que é motoboy, sofreu um acidente no fim de semana. “Ele ganha pouco, cerca de R$ 300,00 por semana”, afirma.

Sem uma renda fixa, a família enfrenta dificuldades financeiras. “Estou pagando a casa e ainda falta o último ano para pagar. Esse seguro pelo menos vai me ajudar a pagar as prestações da casa e comer, porque às vezes eu não tenho nem o que comer direito”, revela. Desempregada desde 2018, Eliane diz que decidiu atualizar os dados do cadastro único porque a situação da família “está difícil”. “Não consigo emprego, não sei se é por causa da idade, porque entre uma de 35 anos e uma de 50 anos, geralmente pegam de 35 anos”, explica.

O Cadastro Único é um conjunto de informações sobre as famílias brasileiras em situação de pobreza e extrema pobreza. Essas informações são utilizadas pelo Governo Federal, pelos Estados e pelos municípios para implementação de políticas públicas capazes de promover a melhoria da vida dessas famílias. Devem estar cadastradas as famílias de baixa renda que ganham até meio salário mínimo por pessoa; ou que ganham até 3 salários mínimos de renda mensal ​tota​l.


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