Viaduto Otávio Rocha precisa de atenção e reformas

Viaduto Otávio Rocha precisa de atenção e reformas

Sofrendo com infiltrações, edificação de 86 anos aguarda reparos

Heron Vidal

Viaduto Otávio Rocha completa 86 anos em 2018

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Primeiro viaduto construído em Porto Alegre, símbolo de modernidade à época da sua inauguração, em 1932, o viaduto Otávio Rocha, na avenida Borges de Medeiros, vive, aos seus 86 anos, uma "fase de agonia", na avaliação do presidente da Associação Representativa e Cultural dos Comerciantes do Viaduto Otávio Rocha (Arccov), Adacir José Flores. Sua edificação imponente carece de uma verba também monumental, levando-se em conta os tempos atuais de crise geral nas finanças públicas: R$ 25 milhões.

Infiltrações de água e de esgotos, vindas da chuva e dos edifícios sobre o viaduto, são uma parte dos problemas. Isso tem manchado paredes, escadarias e compromete a estrutura do prédio. Flores acrescenta, na relação, o sucateamento das instalações de água, esgoto e da rede elétrica, externa (na avenida) e interna (pontos comerciais). Em 2014, a prefeitura aprovou projeto, elaborado com apoio de entidades e ativistas culturais, para as reformas urgentes do viaduto.

"Nosso objetivo é preservar o patrimônio, com a restauração, e humanizar o viaduto", explica o presidente da Arccov. Ação da Brigada Militar livrou o local, faz três meses, de vândalos, moradores de rua e do tráfico de drogas. "Mas além de preservar o material é necessário salvar o imaterial, que é o ambiente de convivência de relação das pessoas com a cidade", afirma. Segundo Flores o projeto visa captar de recursos junto à sociedade. Uma empresa, por exemplo, se comprometeu a investir R$ 7 milhões na restauração.

Na visão do presidente da Arccov, a causa de o projeto ainda não ter saído do papel é a "falta de vontade política". Flores representa o comércio do viaduto. São cerca de 32 lojas (o gerenciamento é prefeitura), entre as partes de cima (escadaria), das quais 16 estão abertas ao público, e as localizadas junto à Borges. Entre os negócios estão restaurante, chaveiros, vendas de livros, discos, CDs e DVDs de música, chaveiro, ótica, e a sede da Associação dos Escritores Independentes. O viaduto é estrutura tombada pelo município.

Festa para o Otávio Rocha

A prefeitura organizou programação desde a tarde desse sábado, quando começou a semana de atividades culturais dos 86 anos do Viaduto Otávio Rocha, com benção do pároco da Catedral Metropolitana de Porto Alegre, Rogério Flores. A iniciativa é realizada pela secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico com apoio da Associação Representativa e Cultural dos Comerciantes do Viaduto Otávio Rocha, do artista plástico Antônio Gerbase, Caminho dos Antiquários e Associação Comunitária do Centro Histórico.

No sábado, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Eduardo Cidade, lembrou que o município "está sempre aberto a projetos que valorizem os espaços públicos da Capital". O Correio do Povo tentou contato com a secretaria para tratar do projeto de recuperação do viaduto – a resposta foi prometida para segunda-feira. A programação comemorativa vai até o dia 8. O viaduto será cenário de intervenções culturais (exposições de obras, performances com oficinas artísticas, feiras de artesanato, discos, flores, antiguidades e gastronomia), envolvendo os turnos da manhã, tarde e noite.

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