Viagens em transporte por aplicativo reduziram cerca de 90% durante a pandemia em Porto Alegre

Viagens em transporte por aplicativo reduziram cerca de 90% durante a pandemia em Porto Alegre

Associação Liga dos Motoristas de Aplicativos (Alma) apontou que plataformas não apresentaram nenhum incentivo à renda dos motoristas

Cláudio Isaías

Redução de passageiros ocorreu principalmente na estação rodoviária de Porto Alegre

A situação financeira dos motoristas de aplicativos está bastante complicada em razão da redução do número de passageiros em função da pandemia da Covid-19. Desde março, segundo a Associação Liga dos Motoristas de Aplicativos (Alma), o número de viagens em Porto Alegre diminuiu cerca de 90%.

Segundo a entidade, no período de crise em decorrência do novo coronavírus, a categoria não recebeu incentivos das plataformas de aplicativos. “Nenhum aplicativo deu qualquer incentivo, a não ser ajuda para álcool em gel e máscaras”, acrescentou o presidente da Alma, Joe Moraes.

Os profissionais apontam a falta de clientes, principalmente na Estação Rodoviária de Porto Alegre e no Porto Alegre Airport - Aeroporto Internacional Salgado Filho, como um dos fatores da crise. Conforme Joe, o movimento dos aplicativos de transporte vem caindo desde o começo de março, quando os primeiros decretos começaram a ser publicados pela prefeitura de Porto Alegre.

Diante do quadro que se instalou na cidade e a falta de dinheiro, segundo ele, muitos motoristas precisaram devolver os veículos que eram alugados. Um levantamento da entidade aponta que cerca de 70% a 80% dos motoristas, que tinham veículos locados, acabaram por devolver por não terem condições de pagar as mensalidades. Morador de Viamão, na região Metropolita, o motorista Vladimir Siqueira, afirmou que os clientes começaram a diminuir de maneira abrupta. "Os meses de abril e maio foram terríveis em termos de serviço", ressaltou.

Siqueira disse que antes da crise realizava uma média de 30 a 40 corridas por dia. No entanto, afirma que atualmente precisa trabalhar mais de 12 horas e ficar contente se conseguir realizar dez corridas. "Tem que agradecer se conseguimos garantir a refeição e o combustível", acrescentou. Ele deixa a residência de segunda-feira a sábado por volta das 6h e retorna somente às 19h. Já Mariston Fernandes disse que percebeu uma queda no número de passageiros desde março.

"Hoje, trabalhando 14 horas por dia, é possível realizar 25 corridas. Antes da pandemia se conseguia realizar muito mais viagens", ressaltou. Segundo Fernandes, a maioria dos passageiros está somente nos horários de pico devido ao fato do transporte público ter diminuído o número de carros na cidade.  
 


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