África do Sul opta por vacina Johnson & Johnson e pode revender doses da AstraZeneca

África do Sul opta por vacina Johnson & Johnson e pode revender doses da AstraZeneca

Eficácia da AstraZeneca contra cepa sul-africana foi considerada baixa, conforme estudo

AFP

África do Sul poderá revender doses da AstraZeneca

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A África do Sul anunciou nesta quarta-feira que está disposta a vender ou trocar 1 milhão de doses da vacina AstraZeneca, que descartou em favor do imunizante da Johnson & Johnson, após dúvidas sobre a eficácia da primeira contra a variante local do coronavírus. O país registra quase 1,5 milhão de infecções e 47 mil mortes.

No domingo, o país suspendeu o programa de vacinação programado para começar nesta semana com o produto britânico AstraZeneca/Oxford, após um estudo que revelou uma eficácia “limitada” contra a nova variante sul-africana, 501Y.V2. Os primeiros resultados do estudo da universidade de Witwatersrand (Joanesburgo), afirmam que AstraZeneca/Oxford é apenas 22% eficaz contra as formas moderadas da nova cepa e a eficácia contra as formas graves não é conhecida.

O ministro da Saúde anunciou que, em vista dos “resultados dos estudos de eficácia, (o governo) dará continuidade à planejada primeira etapa da vacinação, inoculando a vacina Johnson & Johnson em vez da AstraZeneca”. “A eficácia da vacina Johnson & Johnson contra a variante 501Y.V2 foi comprovada”, justificou Zweli Mkhize, sem esclarecer a data de início da campanha.

O governo do país africano mais atingido pelo coronavírus estabeleceu a meta de vacinar 40 milhões de pessoas (67% de sua população) até o final do ano. Assim, em 1º de fevereiro, recebeu 1 milhão de doses da AstraZeneca, que em tese expiraria no final de abril, e mais 500 mil eram esperadas para este mês.

O ministro afirmou que essas doses não serão desperdiçadas. “Nossos cientistas vão continuar discutindo seu uso” no país, apontando a possibilidade de administrá-la para ver se previne formas graves da doença ligada à 501Y.V2.

Uma opção estudada é vender ou trocar seus lotes com países afetados pela cepa original da Covid-19. Conforme os cientistas decidem, “as vacinas serão trocadas antes do prazo de validade”, disse Mkhize, afirmando que “já há países nos pedindo para comprá-las”.

Nove milhões de doses foram encomendadas da Johnson & Johnson, e uma primeira entrega em pequenas quantidades está prevista para a próxima semana. A primeira remessa seria usada como “estoque de pesquisa”, disse o ministro.

A farmacêutica sul-africana Aspen, fabricante licenciada da vacina Johnson & Johnson, “está muito determinada a aumentar a produção”, disse Mkhize, e as primeiras doses estarão disponíveis em abril.

Contatada pela agência de notícias AFP, Aspen indicou que “não tem mais informações” sobre um acordo com a Johnson & Johnson e que qualquer comentário seria “prematuro”. A África do Sul está buscando acesso à US Pfizer por meio do mecanismo Covax da OMS.


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