Acordo pós-Brexit é esperado para próximas horas

Acordo pós-Brexit é esperado para próximas horas

Caso se chegue a um acordo nesta quarta-feira, haverá tempo (em tese) para que ele entre em vigor em 1º de janeiro

AFP

Acesso das frotas europeias às águas britânicas foi o último obstáculo nestas discussões

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Um acordo comercial pós-Brexit entre Reino Unido e União Europeia parece estar muito perto de se concretizar nesta quarta-feira - disseram diferentes fontes europeias à AFP. Há "grandes possibilidades" de que este acordo seja concluído à tarde, assegurou uma destas fontes, enquanto outra se manifestou nesta mesma direção: "estamos na fase final".

As negociações estão desde segunda-feira nas mãos da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que multiplicam as trocas para chegar a esse acordo, segundo as fontes.

O acesso das frotas europeias às águas britânicas foi o último obstáculo nestas discussões, em que conseguiram visivelmente ultrapassar as outras questões problemáticas, como as regras da concorrência e o futuro mecanismo de solução de controvérsias.

Caso se chegue a um acordo nesta quarta-feira, haverá tempo (em tese) para que ele entre em vigor em 1º de janeiro, prazo no qual o Reino Unido, que deixou a União Europeia (UE) oficialmente em 31 de janeiro, abandona o mercado único europeu de forma definitiva. As fontes consultadas revelaram que os Estados-membros já começaram a conversar entre si para preparar o terreno.

Sem um acordo, as relações entre as partes seriam regidas pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), um cenário de imprevisíveis consequências econômicas que acarreta tarifas e cotas, e a multiplicação de formalidades burocráticas que podem levar a atrasos nas entregas. Uma perspectiva terrível para o Reino Unido, já abalado por uma variante mais contagiosa do novo coronavírus que praticamente isolou o país

A questão da pesca, de pouco peso econômico, tornou-se uma verdadeira batalha política e, para Londres, simboliza a recuperação da soberania após o divórcio com o bloco. As divergências giram em torno da alocação de cerca de 650 milhões de euros em pesca, capturados todos os anos pelos barcos europeus em valiosos bancos de pesca britânicos, e da duração do período de adaptação das frotas europeias.

A UE recusou nesta semana uma oferta de Londres, que consistia em renunciar a entre 35% e 65% das capturas (sendo pescadas em alto-mar, ou não), durante um período de transição de três anos. Há poucos dias, Bruxelas propôs ceder cerca de 25% destes 650 milhões, após um período de seis anos.

"A bola está no campo Boris Johnson", comentou um diplomata europeu, para quem a proposta da UE só pode ser uma "oferta final", levando-se em conta as preocupações que já causou em vários países-membros, como a Dinamarca.

O negociador europeu, Michel Barnier, informou os Estados-Membros que a UE está disposta a negociar "até o final do ano, ou depois", caso o bloqueio à pesca persista.


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