Ao menos 22 mortos em Gaza após noite de bombardeios israelenses e lançamento de foguetes

Ao menos 22 mortos em Gaza após noite de bombardeios israelenses e lançamento de foguetes

Outras 106 pessoas ficaram feridas no território palestino controlado pelo movimento islamita Hamas, informaram as autoridades de saúde locais

AFP

Estado hebreu respondeu ao lançamento de foguetes com 130 ataques de aviões

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Ao menos 22 palestinos, incluindo nove crianças, morreram na madrugada de segunda-feira para terça-feira em bombardeios israelenses em Gaza, uma resposta aos foguetes lançados por movimentos armados palestinos, uma escalada provocada por uma onda de violência em Jerusalém Oriental. Outras 106 pessoas ficaram feridas na Faixa de Gaza, território palestino controlado pelo movimento islamita Hamas, informaram as autoridades de saúde locais.

A Jihad Islâmica, segundo maior grupo islamita armado da Faixa de Gaza, anunciou nesta terça-feira que dois de seus comandantes morreram em ataques israelenses contra o território palestino. "Dois comandantes da Brigada Al Quds (braço armado do movimento) morreram e oito pessoas ficaram feridas, incluindo uma mulher e duas crianças, nos ataques aéreos contra um apartamento no bairro de Al Rimal de Gaza", afirmaram fontes.

Desde segunda-feira, militantes palestinos lançaram mais de 200 foguetes contra Israel. O sistema antimísseis israelense Cúpula de Ferro interceptou mais de 90% dos projéteis, afirmou o porta-voz do exército, Jonathan Conricus. Ao menos seis israelenses ficaram feridos.

O Estado hebreu respondeu ao lançamento de foguetes com 130 ataques de aviões de combate e helicópteros contra alvos militares no território palestino, que mataram 15 comandantes do Hamas e da Jihad Islâmica, anunciou Conricus à imprensa.

No entanto, o porta-voz garantiu que não tem confirmação de que os ataques afetaram civis e explicou que Israel atacou instalações de fabricação e armazenamento de armas, áreas de treinamento de militantes e a casa de um comandante do Hamas, entre outros.

Mais foguetes foram disparados do enclave palestino na terça-feira, quando o braço armado das brigadas Qassam afiliadas ao Hamas prometeu transformar a cidade israelense de Ashkelon (sul) no "inferno". As tensões dos últimos dias em Jerusalém se transformaram nos piores tumultos na cidade desde 2017.

Na última sexta-feira, último dia do Ramadã, ocorreram confrontos entre a tropa de choque israelense e os fiéis palestinos na Esplanada das Mesquitas, onde fica a Mesquita de Al Aqsa, o terceiro lugar mais sagrado do Islã.

Apelos à calma

Desde então, os distúrbios noturnos em Jerusalém Oriental deixaram centenas de palestinos feridos e provocaram apelos internacionais por uma desescalada. Hoje, a ONU disse estar "profundamente preocupada" e condenou "qualquer incitação à violência".

Fontes diplomáticas disseram à AFP que Egito e Catar, países que mediaram conflitos anteriores entre Israel e Hamas, estavam tentando acalmar as tensões. O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, condenou os ataques com foguetes do Hamas, afirmando que eles "devem parar imediatamente".

Na segunda-feira (10), o Hamas deu um ultimato a Israel para que retire todas as suas forças da Esplanada das Mesquitas e do distrito de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, onde os próximos despejos de famílias palestinas estão gerando protestos.

Na segunda-feira, sirenes soaram em toda Jerusalém logo após as 18h locais (12h em Brasília), o horário-limite do ultimato do Hamas. Foguetes começaram, então, a serem disparados, enquanto moradores de Jerusalém, incluindo deputados da Knesset, fugiam para bunkers pela primeira vez desde o conflito de Gaza de 2014. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que o Hamas "cruzou uma linha vermelha", ao mirar para Jerusalém.

"Se escalarem, escalaremos"

As brigadas Qassam disseram que os ataques com foguetes são uma resposta às ações israelenses em Sheikh Jarrah e ao redor da mesquita de Al-Aqsa. "Esta é uma mensagem que o inimigo deve entender bem: se eles responderem, responderemos. E se escalarem, escalaremos", frisaram.

Várias propriedades em Israel foram danificadas pelos foguetes, incluindo um apartamento em Ashkelon e uma casa em Beit Nekofa, cerca de 10 quilômetros a oeste de Jerusalém. Ontem, em outra ocorrência, de acordo com a polícia, um árabe israelense baleado em confrontos com judeus israelenses na cidade de Lod (centro) não resistiu aos ferimentos e faleceu.

Pedras e balas de borracha

A decisão na segunda-feira de cancelar uma marcha israelense na Cidade Velha em comemoração à tomada de Jerusalém Oriental por Israel chegou a trazer alguma esperança de calma. Então, expirou o ultimato dado pelo Hamas, seguido do lançamento de foguetes, forçando a evacuação do Muro das Lamentações e de outros locais.

Ontem à noite, assim como nas noites anteriores desde a última sexta-feira, os palestinos atiraram pedras na tropa de choque israelense. Os agentes responderam com balas de borracha, granadas de efeito moral e gás lacrimogêneo.

Nesta terça-feira, há sinais de calma na Cidade Velha de Jerusalém, de acordo com um repórter da AFP, mas o risco de escalada continua sendo alto. O Crescente Vermelho Palestino relatou que pelo menos 520 palestinos ficaram feridos desde ontem, incluindo mais de 200 que foram hospitalizados. Cinco deles se encontram em estado crítico. Já a polícia israelense relatou 32 feridos em suas fileiras.

 

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