Chanceler austríaco antecipa eleições após escândalo que culminou na renúncia de seu vice

Chanceler austríaco antecipa eleições após escândalo que culminou na renúncia de seu vice

Sebastian Kurz também anunciou a saída do partido de Heinz-Christian Strache do governo

Correio do Povo e AFP

"Sugeri ao presidente da República que sejam convocadas eleições o quanto antes", afirmou Kurz

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O primeiro-ministro austríaco, Sebastian Kurz, anunciou neste sábado eleições antecipadas no país, após o escândalo que levou à saída de seu número dois, o líder da extrema direita Heinz-Christian Strache. "Basta. Sugeri ao presidente da República que sejam convocadas eleições o quanto antes", afirmou em comunicado à imprensa, acrescentando que o Partido da Liberdade Austríaca (FPÖ), ao qual pertence seu vice, e junto do qual governa o seu Partido Popular Austríaco (ÖVP), não continuará na coligação. "Está prejudicando o nosso caminho de mudança com o seu comportamento", continuou ele, pedindo aos eleitores que dessem à sua agremiação política "um claro mandato eleitoral".

"Eu prometi aos eleitores que permaneceria fiel a mim mesmo, não importa o que aconteça. Eu disse que sempre faria o que é certo e o que é necessário", disse Kurz, declarando que retirou o ÖVP do governo. Ele então passou a descrever uma série de escândalos anti-semitas cometidos por membros do FPÖ, chamando-os de "difíceis de engolir". "Não é isso que o nosso país precisa. Eu não estou na política para realizar este cargo ... mas para trabalhar para o nosso belo país", afirmou. Milhares de pessoas protestaram do lado de fora da chancelaria em Viena durante todo o dia, pedindo um novo governo.

Horas antes, Heinz-Christian Strache havia pedido sua renúncia, após a revelação pela imprensa de um vídeo no qual promete à suposta sobrinha de um oligarca russo contratos públicos em troca de verbas para a campanha eleitoral. "Entreguei ao chanceler Sebastian Kurz minha renúncia como vice-chanceler e ele a aceitou", anunciou o político de 49 anos, em coletiva de imprensa em Viena. O anúncio foi organizado às pressas para tentar diminuir o impacto de um escândalo que também ameaça a credibilidade total do governo.

Ele também informou que deixou a liderança do FPÖ, o partido que chefiava desde 2005. "Eu cometi um erro e não quero que isso seja um pretexto para enfraquecer a coalizão formada em dezembro de 2017 com os conservadores de Kurz", acrescentou Strache, que denunciou um "ataque político direcionado" e assegurou não ter cometido "irregularidades".

A revista alemã Der Spiegel e o jornal Sueddeutsche Zeitung publicaram na sexta-feira em seus sites fragmentos de uma gravação com câmera oculta de uma reunião que teria acontecido meses antes das eleições parlamentares de 2017 na Áustria, nas quais o Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ) chegou ao poder. Nas imagens aparecem o vice-chanceler Strache e Johann Gudenus, líder do grupo parlamentar FPÖ, conversando com uma mulher que afirma ser sobrinha de um oligarca russo, sobre como investir dinheiro na Áustria, especificamente para controlar o jornal de maior tiragem do país, o Krone Zeitung. A conversa envolve principalmente a participação acionária no poderoso jornal austríaco.

Strache sugere que sob uma nova direção o Krone poderia ajudar o FPÖ em sua campanha eleitoral. Também diz à mulher que seu grupo poderá ter acesso a contratos públicos. "Ela terá todos os contratos públicos atualmente com Strabag", um importante grupo austríaco de construção, diz o líder do FPÖ na gravação. Strache diz que não haverá resistência na redação do Kronen Zeitung porque "os jornalistas são os maiores prostituídos do planeta". Também explica que quer "construir uma paisagem midiática como a de Orban", na Hungria. Neste país, o primeiro-ministro Viktor Orban e criticado por ter atacado o pluralismo da imprensa.

A reunião, ocorrida na ilha espanhola de Ibiza, foi uma armadilha para pegar o líder do FPÖ, segundo a imprensa alemã, que não sabe quem montou a operação. Strache admitiu que participou da reunião, mas negou que tenha cometido qualquer crime. Neste sábado, Strache denunciou um golpe "pérfido" e ressaltou que essa reunião não teve prosseguimento. No entanto, ele admitiu ter "tido uma atitude típica machista causados pelo álcool" e pediu desculpas à sua mulher, a seu partido e a Kurz, dizendo ter-se comportado "como um adolescente" por não controlar suas palavras. Ele evocou a grande quantidade de álcool ingerida que o fez "se gabar como um adolescente" para impressionar a visitante. "Foi idiota e irresponsável", admitiu. phs/tmo/mr


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