Combates se intensificam em Karabakh, onde pedidos de trégua aumentam

Combates se intensificam em Karabakh, onde pedidos de trégua aumentam

Líderes de Estados Unidos, França e Rússia pedem o fim do conflito

AFP

Porta-voz armênio diz que cerca de 350 soldados azerbaijanos já morreram

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Armênios e azerbaijanos continuavam surdos, nesta quinta-feira, aos pedidos de trégua, trocando tiros e alegando infligir consideráveis perdas humanas e materiais em Nagorno Karabakh, um território separatista do Azerbaijão apoiado por Yerevan.

Nesta quinta-feira, os presidentes da França, dos Estados Unidos e da Rússia clamaram em conjunto por um cessar-fogo "imediato" em Karabakh, palco de violentos combates desde domingo. "Pedimos o fim imediato das hostilidades", exortou Emmanuel Macron, Donald Trump e Vladimir Putin, em uma declaração publicada pela Presidência francesa, na qual também exortam os líderes da Armênia e do Azerbaijão "a se comprometerem sem demora a retomar as negociações".

Em Stepanakert, a capital da autoproclamada república de Nagorno Karabakh, a situação estava calma pela manhã, apesar da grande presença policial. Duas explosões ocorreram durante a madrugada, enquanto a cidade mergulhava na escuridão a noite toda para dificultar a visão dos drones azerbaijanos que atingiram a cidade no domingo.

No quinto dia de confrontos, nenhum lado parece estar em vantagem, mas "os combates se intensificaram", disse o porta-voz do ministério da Defesa armênio, Artstroun Hovhannissian, garantindo: "o inimigo sofreu enormes perdas". As forças do Azerbaijão, que há vários dias afirmam ter assumido posições armênias mantidas por mais de 30 anos, fizeram declarações semelhantes e garantiram que os combatentes separatistas teriam que "retirar-se das posições que ocupavam na linha de frente".

Nagorny Karabakh, habitada principalmente por armênios, separou-se do Azerbaijão, levando a uma guerra no início da década de 1990 que deixou 30.000 mortos. A frente estava quase congelada desde então, apesar de alguns confrontos regulares, especialmente em 2016.

"Disparos de artilharia devastadores"

Segundo o porta-voz armênio, cerca de 350 soldados azerbaijanos morreram, 15 veículos blindados foram destruídos e três helicópteros foram abatidos, um dos quais caiu no Irã. O ministério da Defesa do Azerbaijão negou esta última alegação, citando uma "mentira". Ele indicou "que durante toda a noite disparos de artilharia devastadores tiveram como alvo as forças armênias". O exército de Karabakh afirma ter impedido o Azerbaijão "de reagrupar suas tropas".

Desde o início das hostilidades no domingo, apenas balanços parciais foram comunicados, relatando um total de 128 mortos. Do lado armênio, 104 soldados e 8 civis foram declarados mortos. Baku recusa-se a comunicar balanços militares, mas anunciou a morte de 16 civis.

Ambos os lados afirmam ter infligido centenas de perdas humanas ao outro e transmitem vídeos nesse sentido, como o da quarta-feira de um drone azerbaijano atingindo um porta-aviões blindado carregando soldados, ou um armênio mostrando muitos corpos enfileirados em uniformes adversários. Os pedidos de trégua se multiplicam, mas o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliev, e o primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinian, reafirmaram a determinação em continuar os combates.

Nesta quinta-feira, este último garantiu no Facebook que Nagorno Karabakh combatia o "terrorismo internacional". "A comunidade internacional agora afirmou claramente que o tandem turco-azerbaijano trava uma guerra contra a Armênia e Karabakh com a ajuda de mercenários terroristas", acrescentou.

A Rússia, potência regional que mantém relações cordiais com as duas ex-repúblicas soviéticas, manifestou preocupação com o papel da Turquia, concorrente geopolítico, mas com quem mantém relações pragmáticas.

Guerra longa

Moscou criticou Ancara por "colocar lenha na fogueira" ao encorajar Baku em sua ofensiva. E na quarta-feira à noite, sem apontar o dedo diretamente para a Turquia, a diplomacia russa disse estar "muito preocupada" com a implantação no conflito de Karabakh de "terroristas e mercenários estrangeiros" da "Síria e da Líbia", duas áreas onde Ancara atua militarmente com seus aliados locais.

Já o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, cujo país é o principal aliado do Azerbaijão, disse nesta quinta-feira que um cessar-fogo em Nagorno Karabakh exige a retirada das forças armênias deste enclave separatista. "Um cessar-fogo duradouro nesta região depende da retirada dos armênios de todo o território do Azerbaijão", afirmou Erdogan durante um discurso no parlamento.

A interferência militar de Ancara não foi estabelecida, com apenas a Armênia reivindicando-a até agora, acusando a Turquia de ter implantado seus aviões F-16, de fornecer pilotos de drones e especialistas militares. Uma intervenção militar direta turca constituiria um importante ponto de inflexão e uma internacionalização do conflito, um possível cenário de catástrofe, em uma região onde muitas potências estão em competição.


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