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Confronto entre policiais e manifestantes deixa dois mortos no Peru

Vários ficaram feridos nos protestos pela volta do presidente Castillo

Protestos surgiram em diversos pontos do país
Protestos surgiram em diversos pontos do país Foto : Ernesto Benavides / AFP / CP

Um confronto entre policiais e manifestantes que protestam contra o novo governo do Peru na cidade de Andahuaylas deixou dois mortos e diversos feridos, informou a polícia. "Lamentamos as mortes e enviamos nossos pêsames aos familiares por esse fato", destacou comunicado policial.

Segundo a Defensoria do Povo, uma das vítimas fatais foi um adolescente que participava das manifestações sociais contra a deposição de Pedro Castillo e as ações da nova presidente, Dina Boluarte.

Dois dias após sua fracassada tentativa de golpe, Castillo se encontra no mesmo centro de detenção que o ex-presidente Alberto Fujimori, na base das forças especiais da polícia, localizada ao leste de Lima. O Ministério Público acusa-o de rebelião e conspiração, e um tribunal superior ordenou que fique sete dias em prisão preventiva.

Nas ruas, as manifestações se mantêm pelo segundo dia e alimentam a incerteza ligada à possibilidade de Dina Boluarte conseguir concluir seu mandato em 2026, como ela mesma anunciou ao tomar posse, na quarta-feira.

Em Lima, centenas de pessoas saíram em passeata exigindo a libertação de Castillo. "Votei nele, este Congresso não nos representa, queremos a sua liberdade", disse à AFP Maribel Quispe. "Queremos que fechem este Congresso corrupto e libertem Castillo. Ele decidiu fechar o Congresso porque não o deixavam trabalhar", protestou Sara Medina.

Dezenas de policiais fecharam as avenidas que levam ao Parlamento para impedir a passagem dos manifestantes, que queimaram cartazes com a imagem da presidente Dina, aos gritos de "golpista!". As manifestações se repetiram no interior do país, onde dezenas de pessoas bloquearam pelo segundo dia diferentes trechos da rodovia Pan-Americana Sul com pedras, troncos e pneus em chamas, exigindo eleições gerais e o fechamento do Congresso.

A Defensoria do Povo fez um apelo "à tranquilidade e à responsabilidade a todos os cidadãos".

Depois de anunciar a dissolução dos poderes e declarar estado de exceção na quarta-feira, Castillo foi detido por sua própria escolta quando se dirigia à embaixada mexicana em Lima para pedir asilo político. O governo do presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, seu ferrenho defensor, disse que está em consultas com o novo governo peruano para conceder-lhe asilo, informou o chanceler Marcelo Ebrard.

O Peru, no entanto, manifestou hoje que considera "uma interferência" do México as opiniões de autoridades mexicanas sobre sua situação política.