Confrontos entre manifestantes e policiais deixam mais de 220 feridos no Líbano

Confrontos entre manifestantes e policiais deixam mais de 220 feridos no Líbano

Manifestações se exacerbaram nas últimas semanas pela piora da situação socioeconômica

AFP

Mais de 200 pessoas ficaram feridas em protestos no Líbano

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Mais de 220 pessoas ficaram feridas neste sábado em Beirute em confrontos entre manifestantes e a polícia, os mais violentos desde que, há três meses, teve início um movimento de protesto contra os políticos, acusados de corrupção e inércia. As manifestações se exacerbaram nas últimas semanas pela piora da situação socioeconômica e pela incapacidade das autoridades de formar um governo, mais de dois meses depois da demissão do premier Rafic Hariri. 

A violência começou em frente a uma das principais portas do parlamento, no Centro de Beirute, quando os manifestantes, alguns encapuzados, investiram contra policiais do batalhão de choque, lançando projéteis, pedras, galhos de árvores e outros objetos. Alguns tentaram furar os bloqueios. A polícia usou jatos d'água e gás lacrimogêneo para conter o tumulto. Concentrados nas ruas vizinhas ao parlamento, manifestantes lançaram pedras e fogos de artifício contra a polícia.

Os confrontos continuaram durante horas, até que a polícia conseguiu dispersar os manifestantes, à noite. "Mais de 80 pessoas foram levadas para o hospital, enquanto mais de 140 foram atendidas na rua", indicou um porta-voz da Cruz Vermelha, segundo quem havia feridos tanto entre os manifestantes quanto entre as forças de ordem. O presidente do Líbano, Michel Aoun, pediu a garantia "da segurança dos manifestantes pacíficos, a proibição de atos de vandalismo e a preservação dos bens públicos e privados". 

Ataques a bancos

Inicialmente, estava prevista uma manifestação até o parlamento, mas a violência eclodiu antes mesmo do seu início. As Forças de Segurança Interior (FSI) lamentaram no Twitter a violência e pediram aos manifestantes pacíficos que deixassem o local com urgência, "para a sua própria segurança". O movimento de protesto pede, desde o início, um governo de tecnocratas e personalidades independentes dos partidos tradicionais.

Mas desde a nomeação do novo premier, em dezembro, as negociações sobre a divisão dos ministérios estão paralisadas. As manifestações das últimas semanas também respondem às restrições que os bancos estão impondo aos saques. O Líbano tem uma dívida de quase 90 bilhões de dólares, ou mais de 150% de seu PIB, e o Banco Mundial advertiu, em novembro, que o índice de pobreza poderia atingir 50% da população, contra o atual um terço.


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