Deputados britânicos rejeitam pela terceira vez o acordo do Brexit
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Deputados britânicos rejeitam pela terceira vez o acordo do Brexit

Resultado deixa a premiê britânica Theresa May em situação ainda mais delicada

Por
AFP e Correio do Povo

Terceiro acordo para o Brexit foi rejeitado pelo Parlamento

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Os deputados britânicos rejeitaram pela terceira vez nesta sexta-feira, dia em que o Reino Unido deveria sair da União Europeia, o acordo Brexit negociado por Theresa May, mergulhando o futuro do país em grandes incertezas. O Tratado de Retirada foi derrubado por 344 votos a 286 no final de uma série de votações caóticas. Após o resultado, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, convocou uma cúpula extraordinária de líderes europeus para 10 de abril.

O acordo com o qual May esperava encerrar 46 anos de integração britânica na UE é um calhamaço de 585 páginas, 185 artigos e 3 protocolos. Inclui, entre outras questões, os direitos dos cidadãos europeus no Reino Unido e vice-versa, a conta de 39 bilhões de libras que Londres deve pagar e o polêmico "backstop". Prevê também um período de transição, até o final de 2020, mas que poderá ser prorrogado por um período máximo de dois anos, para que as empresas e os governos tenham tempo para fazer as adaptações necessárias. Esse período seria necessário também para que Londres e Bruxelas possam negociar os termos de sua futura relação nas áreas de comércio, política externa, ou cooperação policial.

May lamenta nova derrota

Após a votação, a premiê disse que recebeu a informação com um “profundo pesar”. “Mais uma vez não pudemos apoiar a saída da União Europeia de uma forma ordeira. As implicações da decisão são graves. Agora o Reino Unido deve deixar a União Europeia em 12 de abril. Em apenas 14 dias. Isso não é tempo suficiente para concordar, legislar e ratificar um acordo, e, ainda assim, a Câmara tem sido clara que não permitirá uma saída sem um acordo”, afirmou.

“Dessa forma, teremos que concordar com um caminho alternativo. A União Europeia tem sido clara no sentido de que qualquer nova prorrogação terá de ter uma proposta clara e terá de ser aprovada por unanimidade pelos chefes dos outros 27 Estados-Membros antes de 12 de abril. É também quase certo que o Reino Unido seja obrigado a realizar eleições parlamentares europeias”, continuou.

May receou que os parlamentares estejam atingindo os limites do processo na Câmara. “Esta Casa rejeitou um 'não-acordo'. Rejeitou um 'não-Brexit'. Na quarta-feira, rejeitou todas as variações de acordos na mesa. E, hoje, rejeitou aprovar o acordo de retirada e continuar um processo sobre o futuro. Este governo continuará a pressionar pelo Brexit ordenado que o resultado do referendo exige", finalizou.

Ela ainda anunciou que, na segunda-feira, a Parlamento continuará o processo para verificar se existe uma maioria estável para uma versão alternativa específica do futuro relacionamento com a UE. Frisou, contudo, que todas as opções exigirão o acordo de retirada.

Saída abrupta

Uma saída abrupta, sem acordo, do Reino Unido da União Europeia (UE), no dia 12 de abril, agora é o cenário mais provável, afirmou uma porta-voz da Comissão Europeia depois que o Parlamento britânico rejeitou novamente o acordo do Brexit. A fonte indicou ainda que os europeus se preparam para este cenário desde dezembro de 2017. "A UE permanecerá unida", acrescentou.