Deputados chilenos aprovam reforma que libera saques de fundos de pensão

Deputados chilenos aprovam reforma que libera saques de fundos de pensão

Após uma noite de protestos, a iniciativa foi aprovada por 95 votos a favor, 36 abstenções e 22 contra

Por
AFP

O projeto de lei agora será votado no Senado


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A Câmara dos Deputados do Chile aprovou nesta quarta-feira uma histórica reforma de lei que permite saques antecipados de 10% dos fundos de pensão privados para fazer frente à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, em um duro golpe para o governo de Sebastián Piñera.

Com o apoio de parlamentares da coalizão de direita do governo e após uma noite de protestos, a iniciativa foi aprovada por 95 votos a favor, 36 abstenções e 22 contra. O projeto de lei agora será votado no Senado.

Panelaços, aplausos, buzinaços e gritos de alegria "como se fosse a final de uma Copa" foram ouvidos em vários bairros da capital, Santiago, inclusive de pessoas que das janelas agitavam a bandeira nacional, constataram jornalistas da AFP.

Esta votação abriu a porta pela primeira vez à reforma de um sistema de capitalização absolutamente individual pioneiro no mundo, instaurado durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). É considerada uma tábua de salvação para a grave crise econômica resultante da pandemia e à falta de ajuda governamental depois de quatro meses de quarentena e restrições sanitárias.

"Não é um projeto justo; não é o correto, não é a melhor forma de resolver o problema que a classe média enfrenta", criticou o ministro do Interior, Gonzalo Blumel, que foi até o Congresso para tentar reverter a votação, sobretudo dos 13 parlamentares da coalizão do governo que votaram a favor.

Na terça-feira e duas semanas depois de um primeiro anúncio considerado insuficiente, o presidente Sebastián Piñera anunciou a modificação de um programa de apoio à classe média, somando um bônus de 630 dólares e estabelecendo um crédito suave de 1.900 dólares, sem juros, com um ano de carência e pagável em até quatro anos.


Mas sua proposta não conseguiu calar os protestos convocados pelas redes sociais na noite de terça-feira, que começaram com um panelaço maciço e terminou com barricadas, saques e confrontos que terminaram com 61 detidos e cenas que lembraram a convulsão social de 18 de outubro do ano passado.