Enviado francês mantém reuniões no Irã para tentar salvar acordo nuclear
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Enviado francês mantém reuniões no Irã para tentar salvar acordo nuclear

Tensões começaram quando EUA saiu do acordo, em 2018

Por
AFP

Irã saudou esforços da diplomacia francesa para reduzir tensões

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O assessor diplomático do presidente francês Emmanuel Macron prosseguiu nesta quarta-feira conversas em Teerã para salvar o acordo internacional de 2015 sobre o programa nuclear iraniano e aliviar as tensões entre os Estados Unidos e a República Islâmica. O diplomata Emmanuel Bonne se reuniu com o almirante Ali Shamkhani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, e depois com o ministro das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif.

"Sob pressão, nenhuma negociação é possível", disse Zarif, antes de se reunir com Bonne, conclamando os "europeus a resolver o problema" causado pela saída dos Estados Unidos do acordo.

Em Teerã, Bonne entregou uma mensagem escrita do presidente francês ao seu colega iraniano, segundo o gabinete de Rohani. Rohani declarou que o Irã "sempre deixou a porta aberta para a diplomacia e o diálogo", e que o objetivo permaneceu "a aplicação abrangente" do acordo, acrescentou a presidência iraniana. A mesma fonte disse que Rohani acrescentou que o Irã espera que os outros partidos "implementem integralmente seus compromissos".

A missão de Bonne é "tentar abrir o espaço de discussão e evitar uma escalada descontrolada, ou mesmo um acidente", afirmou o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian.

Os Estados Unidos retiraram-se unilateralmente em maio de 2018 do acordo nuclear e restauraram as sanções econômicas contra o Irã. Dessa forma, o pacto, também assinado pela Alemanha, China, França, Grã-Bretanha e Rússia, parece estar em perigo. O Irã anunciou, por sua vez, que deixaria de respeitar vários compromissos do acordo para pressionar outros países do pacto a ajudá-lo a evitar as sanções de Washington, que afetam gravemente seus setores petroleiro e financeiro. Segundo embaixador de Teerã na ONU, Majid Takht Ravanchi, as sanções econômicas dos Estados Unidos também minam os esforços do Irã em sua luta contra o terrorismo e o crime organizado.

O Irã anunciou na segunda que começou a enriquecer urânio a mais de 4,5%, acima do limite fixado pelo acordo (3,67%). Os europeus agora redobram seus esforços para salvar o acordo internacional.

Em um comunicado conjunto, os ministros das Relações Exteriores da França, Grã-Bretanha e Alemanha, assim como da União Europeia (UE), pediram na terça-feira que Teerã "reverta" as suas atividades e "volte ao pleno cumprimento" do acordo.

Fase critica

Uma fonte da presidência francesa afirmou que o processo está numa fase muito crítica. "Os iranianos estão tomando medidas que violam o acordo, mas são muito calibradas", explicou. O presidente americano Donald Trump, por sua vez, acrescentou, é um "dealmaker'" (negociador). "Os iranianos exageram, mas não muito, só que Trump põe máxima pressão para poder negociar em seguida", acrescenta.

Nesta quarta, Trump advertiu que, em breve, as sanções contra o Irã serão elevadas. "As sanções vão aumentar em breve, substancialmente", anunciou no Twitter. Trump acusou que o Irã está enriquecendo urânio a níveis que estão proibidos pelo acordo internacional.

Dessa forma, Washington mantém sua pressão e solicitou que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) realize uma reunião extraordinária nesta quarta-feira para analisar as recentes decisões do Irã. Trump reiterou que ele quer forçar o Irã a negociar um "acordo melhor", que o Irã rejeita totalmente. "O Irã está fazendo muitas coisas erradas ... e elas devem ser muito cuidadosas", alertou o presidente americano na terça-feira.

De sua parte, o presidente iraniano Hassan Rohani assegurou em 8 de maio que se a questão do Irã for abordada no Conselho de Segurança da ONU, haverá uma "firme reação" de Teerã.

Neste contexto, o Irã saudou os esforços da diplomacia francesa para reduzir as tensões. "Saudamos essa iniciativa porque a França é parte [do acordo nuclear] e consideramos seus esforços como parte de sua obrigação" de manter vivo o acordo, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Abbas Mussavi, segundo a agência oficial IRNA.