Evo: “Pediram que me entregassem por 50 mil dólares”
capa

Evo: “Pediram que me entregassem por 50 mil dólares”

Ex-presidente da Bolívia denunciou "golpe de Estado" ao chegar ao México

Por
Correio do Povo

Visivelmente cansado, ex-presidente chegou ao México nesta terça

publicidade

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales – que renunciou ao cargo no último domingo após uma série de protestos e pressão das Forças Armadas de seu país  – chegou ao México, onde viverá como asilado, e denunciou o "golpe de Estado" que sofreu, afirmado que renunciou para evitar que mais sangue fosse derramado nas ruas. O governante socialista agradeceu ao governo do México pelo hospitalidade. "Em 9 de novembro, quando cheguei à área de trópicos de Cochabamba, um membro da equipe de segurança do Exército me informou e me fez ler mensagens que pediam que ele me entregasse em troca de 50 mil dólares, um dia antes da minha renúncia, então somos gratos ao irmão chanceler por salvar nossas vidas".

Evo apontou os avanços sociais realizados, mas mostrou decepção com os resultados. "Pensei que tivéssemos acabado com opressão e discriminação, humilhação. Mas existem outros grupos que não respeitam a vida nem o país", afirmou. "Se eu tenho algum crime, é que é o Evo indígena. Não é por este golpe vou mudar ideologicamente. Se eu pequei sobre alguma coisa, é que implementamos programas sociais para os mais humildes; nosso crime ou pecado é que somos ideologicamente anti-imperialistas", completou. 

O político socialista, que governo o país por 13 anos, disse que a oposição aceitou resultado das urnas. "Pelo triunfo no primeiro turno das eleições de 20 de outubro, o golpe de estado começou. Três semanas se passaram e, infelizmente, a Polícia Nacional se juntou ao golpe político e cívico", disse diante dos jornalistas que o esperavam no aeroporto Benito Juárez. A votação foi contestada pela OEA, que mostrou irregularidades no processo, e um plebiscito de 2016 impediu que ele concorresse novamente, fato que foi ignorado: o ex-líder cocaleiro afirmara que era um direito humano buscar uma nova reeleição.

Evo denunciou a violência que se instarou no país nos últimos dias. "Eles queimaram tribunais eleitorais, queimaram as casas de nossas autoridades, saquearam a casa de minha irmã, saquearam minha casa em Cochabamba. Com políticas de intimidação, eles queriam denunciar dois de nossos prefeitos, o governador de Potosí...", enumerou. Ele completou, dizendo que sua cabeça foi colocada a venda por um membro do do Exército. "Ele pediu que me entregassem em troca de50 mil dólares".

Evo também deixou uma mensagem aos movimentos sociais de sua terra: "Quero dizer a todos os movimentos sociais e militantes que eles fazem parte do processo de libertação, sejam trabalhadores, camponeses ou servos, alguns ministros ... Mas também quero lhe dizer que, enquanto tivermos vida, continuemos na política. Enquanto eu houver vida, a luta continua e temos certeza de que os povos do mundo têm todo o direito de se libertar".