Ex-presidente da Assembleia Geral da ONU é processado por corrupção

Ex-presidente da Assembleia Geral da ONU é processado por corrupção

John Ashe exerceu a presidência entre setembro de 2013 e setembro do ano passado

AFP

Ex-presidente da Assembleia Geral da ONU é processado por corrupção

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As autoridades americanas anunciaram nesta terça-feira a detenção e o indiciamento de seis pessoas, incluindo o ex-presidente da Assembleia Geral da ONU John Ashe e um diplomata dominicano, por um caso de corrupção no valor
de mais de um milhão de dólares no seio das Nações Unidas. Quatro dos acusados, incluindo Ashe (ex-embaixador de Antígua e Barbuda ante a ONU) e o vice-representante permanente da República Dominicana nas Nações Unidas, Francis Lorenzo, foram presos nesta terça-feira em Nova Iorque, segundo a procuradoria federal do distrito sul de Manhattan.

Outros dois indivíduos, o empresário chinês do setor imobiliário em Macau Ng Lap Sneg e um colaborador chinês naturalizado americano, foram detidos dias antes também em Nova Iorque depois que o executivo asiático foi acusado por ter levado ilegalmente ao país 4,5 milhões de dólares. As seis pessoas, entre as quais também há outros dois chineses naturalizados americanos, foram processadas por cinco acusações, entre elas conspiração para subornar um responsável da ONU, pagamento de subornos e conspiração para realizar transporte ilegal de dinheiro.

John Ashe, diplomata de Antígua e Barbuda ante a ONU de 1999 a dezembro de 2014, exerceu a presidência da 68ª Assembleia Geral da ONU entre setembro de 2013 e setembro do ano passado. "Se forem comprovadas, as acusações de hoje confirmarão que o câncer da corrupção que afeta tantos governos locais e estatais também infecta as Nações Unidas", indicou o procurador federal Preet Bharara, informando que a denúncia engloba um período que
vai de 2011 a dezembro de 2014. "Como se denúncia, para ter relógios Rolex, roupas feitas sob medida e uma quadra de basquete particular John Ashe, o 68º presidente da Assembleia Geral da ONU, se vendeu e vendeu a
instituição mundial que liderava", acrescentou.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, declarou nesta terça-feira que está impactado e profundamente preocupado com estas acusações contra Ashe. Ban afirmou que as acusações apresentadas "afetam profundamente a integridade das Nações Unidas", segundo um comunicado emitido por sua porta-voz, Stephane Dujarric. 

Segundo a denúncia de 37 páginas, "em troca dos subornos Ashe acordou e executou ações oficiais para empresários que buscavam benefícios da ONU e do governo de Antígua e Barbuda". Os documentos mostram que Ashe aceitou mais de 500 mil dólares em subornos para promover ante a Secretaria Geral da ONU a necessidade de construir um centro de conferências das Nações Unidas em Macau projetado por empresários chineses. Também recebeu outros 800 mil dólares para apoiar interesses destas pessoas ante a ONU e ex-responsáveis do governo de Antígua e Barbuda, incluindo o então primeiro-ministro deste país, com quem compartilhou os subornos. As cinco pessoas que subornavam Ashe utilizavam uma falsa organização não governamental para realizar suas atividades.

Francis Lorenzo, que era seu presidente honorário, recebia um salário de 20 mil dólares mensais, segundo a denúncia. Contactada pela AFP, a representação permanente da República Dominicana ante a ONU indicou que Lorenzo ainda formava parte da equipe da missão. Já o empresário chinês Ng Lap Seng foi detido em 24 de setembro em Nova Iorque junto com Jeff Yin, seu principal colaborador e também processado nesta terça-feira. 

Ng realizou 11 voos aos Estados Unidos entre julho de 2013 e setembro levando ao país entre 200 mil e 900 mil dólares em cada uma das viagens. Em um destes deslocamentos, em junho de 2014, aterrissou em Nova Iorque com uma mala com 400 mil dólares em dinheiro, declarando na alfândega que utilizaria a quantia para comprar pinturas e apostar em Las Vegas. O empresário chinês esteve envolvido anos atrás em uma denúncia vinculada à campanha do Partido Democrata americano na era do ex-presidente Bill Clinton, mas nunca foi processado.


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