Ex-traficante relata plano para matar presidente de Honduras
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Ex-traficante relata plano para matar presidente de Honduras

Riveira alegou que Hernández não deu devida atenção ao cartel após grupo ter colaborado financeiramente para sua campanha

Por
AFP

Presidente Hernández nega todas as acusações e se apresenta como um oponente do narcotráfico

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Um cartel de traficantes de drogas de Honduras planejou matar o presidente do país, Juan Orlando Hernández, porque o mandatário não dava atenção para o grupo, que havia colaborado financeiramente para sua campanha, garantiu nesta sexta-feira, um ex-chefe do narcotráfico hondurenho durante o julgamento em Nova York do irmão de Hernández, Juan Antonio "Tony" Hernández, acusado de levar toneladas de cocaína para os Estados Unidos.

Segundo Devis Leonel Rivera Maradiaga, que comandava o grupo Los Cachiros, numa reunião com os irmãos Luis e Arnulfo Valle, chefes do cartel Valle Valle, "Arnulfo Valle disse que queriam matar Juan Orlando porque Juan Orlando, após assumir a presidência, não atendia os telefonemas deles, que o apoiaram em sua campanha à presidente, em todo o setor de El Espíritu, Copán". Maradiaga garantiu no tribunal que nunca lhe passou pela cabeça assassinar o presidente de seu pais, como asseguravam os rumores em Tegucigalpa (capital hondurenha), acrescentando que passou essa informação para o próprio Juan Orlando Hernández numa ligação telefônica em 2014, na qual o mandatário não falou nada, apenas ouviu. "Líder, não se deixe levar por fofocas e rumores de que estamos tentando matá-lo", disse Rivera ao presidente, de acordo com o depoimento do criminoso no tribunal.

Rivera, que traficou para os Estados Unidos mais de 20 toneladas de cocaína, começou a colaborar com a agência antidrogas americana DEA em 2013. Dois anos depois se entregou à justiça americana, assim como seu irmão Javier. Os irmãos Valle foram capturados em 2014, meses depois da vitória de Hernández nas eleições presidenciais de novembro de 2013, e acabaram extraditados para os Estados Unidos.

Tony Hernández, de 41 anos, está sendo julgado por uma corte do distrito de Nova York por tráfico internacional de drogas e é acusado de operar "com total impunidade" e de pertencer a "uma organização patrocinada pelo Estado (hondurenho) que distribuiu cocaína durante anos", além de repassar milhões de dólares em subornos ao presidente JOH.

Caso seja condenado, pode ser sentenciado à prisão perpétua. O presidente Hernández nega todas as acusações e se apresenta como um oponente do narcotráfico.