França calcula perda de 35% da atividade econômica pelo novo coronavírus
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França calcula perda de 35% da atividade econômica pelo novo coronavírus

Instituto Nacional de Estatísticas Econômicas estima que um mês de confinamento levaria a economia a perder 3 pontos do PIB anual

Por
AFP e Correio do Pvo

Se o confinamento for ampliado para dois meses, a perda do PIB seria de seis pontos em ritmo anual

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As medidas de confinamento na luta contra o novo coronavírus provocaram uma perda de quase 35% da atividade econômica na França, medida nesta semana em comparação com a chamada semana normal, com um "efeito bastante heterogêneo" em função dos setores, afirmou o Instituto Nacional de Estatísticas Econômicas (INSEE) em sua primeira estimativa sobre os impactos da pandemia. O órgão, que compara "o nível de atividade desta semana com o que se poderia esperar em uma semana normal", também calcula que um confinamento de um mês de duração provocaria uma queda em ritmo anual de três pontos do Produto Interno Bruto (PIB).

E os números anunciados são ainda mais pessimistas. Se o confinamento for ampliado para dois meses, a perda do PIB seria de seis pontos em ritmo anual, completou o instituto, ao mesmo tempo que advertiu que "não é simples" fazer uma estimativa deste tipo. Para avaliar a perda de atividade de acordo com os setores, o instituto utilizou dados enviados pelas empresas e sindicatos profissionais, assim como, de maneira mais inédita, dados do consumo de energia, utilização do transporte ferroviário e transações de cartas bancárias.

O INSEE salienta que "essa ordem de magnitude parece consistente com as primeiras informações disponíveis sobre a situação dos funcionários": cerca de um terço permanece no local de trabalho habitual, um terço está teletrabalho e o último terço em desemprego parcial. Também é "compatível" com a diminuição observada no consumo de eletricidade, atualmente em torno de 20% em comparação com uma situação comum.

O estudo foi precedido por uma introdução incomum escrita pelo diretor-geral, Jean-Luc Tavernier. Ele disse que "hesitou antes de dar sinal verde" à divulgação dessa estimativa, devido ao lado "irrisório" de tais cálculos no período vivido e ao aspecto "frágil" das estatísticas exibidas. "De qualquer forma, por mais incerto e impreciso que fosse, parecia-me que dar essa primeira ordem de grandeza era melhor do que não dizer nada", concluiu.

Diferentes situações dependendo do setor

Voluntariamente, o INSEE não forneceu uma estimativa de crescimento para 2020. "Depende em particular da duração desse período de confinamento, que não temos legitimidade ou competência para fornecer", explicou Tavernier. "É um eufemismo dizer que o que estamos apresentando hoje é frágil e suscetível de revisão. Primeiro, porque nossos métodos, em tal situação, não são comprovados: isso é inédito na história do INSEE. Também é frágil porque a situação em si está mudando muito. "

O instituto também destaca uma grande diferença de situações dependendo do setor. Certas atividades como transporte, hotel e restauração ou lazer são muito afetadas, enquanto outras são menos afetadas, como telecomunicações e seguros, por exemplo. Cerca de dois terços dos serviços de mercado são mantidos, estima o INSEE. Na indústria, quase metade da atividade é mantida, enquanto as agrícolas "devem continuar apenas um pouco abaixo do normal".

Em todos os setores, contudo, o indicador de clima de negócios está se deteriorando acentuadamente, com exceção da construção. "Isso confirma que esses indicadores devem ser lidos com cautela este mês", enfatizou Tavernier. Conforme o diretor, eles provavelmente refletem a opinião dos líderes empresariais no início de março de que o pior está por vir.