Franceses tomam as ruas contra reforma da Previdência
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Franceses tomam as ruas contra reforma da Previdência

Quase 90% das viagens ferroviárias em alta velocidade foram canceladas

Por
AFP

Cerca de 70% dos professores de ensino básico aderiram ao movimento

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A França vive nesta quinta-feira um dia de greve geral contra o projeto de reforma da Previdência defendido pelo presidente Emmanuel Macron, que afeta vários serviços no país, incluindo trens, aviões, escolas e hospitais. Quase 90% das viagens dos trens de alta velocidade foram canceladas nesta quinta-feira, 10 das 16 linhas de metrô de Paris estavam fechadas, centenas de voos foram cancelados e muitas escolas não abriram as portas.

Para evitar o caos nos transportes, muitos franceses optaram por trabalhar de casa. "Pedi para trabalhar de casa hoje, mas espero que a greve não dure muito porque não posso fazer isto por muito tempo", declarou Diana Silavong, executiva em uma empresa farmacêutica. Muitas pessoas decidiram caminhar de suas casas até o local de trabalho.

A paralisação de parte dos controladores aéreos obrigou a Air France a cancelar 30% dos voos domésticos e 15% dos voos europeus. A empresa informou, no entanto, que todos os voos de longa distância serão mantidos. A companhia britânica de baixo custo EasyJet cancelou 223 voos nacionais e internacionais de curta distância e advertiu que outras viagens podem sofrer atrasos.

Muitas escolas do país permaneceram fechadas. "Quase 70% dos professores do ensino básico estão em greve. Os números do ensino médio são similares. Nunca havia visto algo semelhante", disse Bernadette Groison, secretária-geral do FSU, o principal sindicato dos trabalhadores do setor de ensino. Policiais, garis, advogados, aposentados e motoristas de transportadoras, assim como os "coletes amarelos", o influente movimento social surgido em novembro de 2018 na França, aderiram à greve.

O movimento de protesto também recebeu o apoio de 182 artistas e intelectuais, entre eles o economista Thomas Piketty, autor de um 'best-seller' sobre a desigualdade, assim como dos partidos de esquerda. Quase 250 comícios estão previstos em dezenas de cidades. Em Paris, as autoridades anunciaram a mobilização 6 mil policiais para evitar distúrbios durante uma passeata prevista para a tarde.

A indignação popular foi motivada pela reforma da Previdência preparada pelo governo de Macron, uma promessa de campanha que tem como objetivo eliminar os 42 regimes especiais que existem atualmente e que concedem privilégios a determinadas categoria profissionais. O governo pretende estabelecer um sistema único, no qual todos os trabalhadores terão os mesmos direitos no momento de receber a aposentadoria.

Para o governo, este é um sistema mais justo e mais simples, no qual "cada euro cotado dará a todos os mesmos direitos". Porém, os sindicatos temem que o novo sistema adie a aposentadoria, atualmente aos 62 anos, e diminua o nível das pensões.