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Furacão leva destruição a Moçambique e Zimbábue com possíveis centenas de mortes

Presidente moçambicano projetou que 100 mil pessoas estão em perigo e que mais de 1000 podem ter perdido a vida

Por
AFP

Cidades foram completamente inundadas na passagem de tempestade

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O furacão que varreu Moçambique e Zimbábue, durante o fim de semana, destruiu estradas, pontes, hospitais e escolas, deixando pelo menos 182 mortos. Este número, contudo, pode superar os 1.000, alertou o presidente de Moçambique, Filipe Nuysi, na segunda-feira. "As vidas de mais de 100 mil pessoas estão em perigo", acrescentou ele. "Nós vimos corpos na água, é um verdadeiro desastre humanitário", estimou. "Nossa prioridade é salvar vidas. Até o momento, mais de 400 pessoas foram salvas de áreas inundadas."

Imagens aéreas transmitidas pela organização Mission Aviation Fellowship, mostram dezenas de pessoas que se refugiaram em telhados de prédios sólidos, completamente cercados por água. O ciclone Idai atingiu o centro de Moçambique na noite de quinta-feira, antes de avançar pelo vizinho Zimbábue Lá, o último balanço registrou 98 mortos e 212 desaparecidos, declarou o porta-voz do governo, Nick Mangwana. "Temos a impressão de estar lidando com as consequências de uma guerra de grande escala", avaliou o ministro atualmente encarregado da Defesa, Perrance Shiri.

Em Moçambique, os estragos em Beira, cidade de meio milhão de habitantes, são "enormes e terríveis", segundo a Federação Internacional da Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho (FICV), que está envolvida nas operações de resgate. Cerca de "90% de Beira e seus arredores foram atingidos", acrescentou em um comunicado. Nesta segunda-feira, as ruas da cidade estavam cheias de árvores caídas, janelas quebradas e ferro retorcido. "O ciclone foi extremamente violento e afetou a todos, destruiu famílias, casas, não há palavras para descrevê-lo", disse Mohamed Badate, de 24 anos, funcionário de uma loja de roupas.

Na região, quase 10 mil pessoas foram afetadas, 873 casas foram destruídas e 24 hospitais e 267 salas de aula foram inundadas, de acordo com o relatório da autoridade moçambicana de gerenciamento de desastres. Em ambos os países, as autoridades temem, no entanto, que o balanço seja pior, com o avanço das operações de resgate. Em Moçambique, "várias barragens cederas ou atingiram seu nível máximo", alertou Emma Beaty, da organização não-governamental Oxfam. O presidente moçambicano, Filipe Nyusi, que visitou a região, considerou a situação "crítica".

O Zimbábue nunca sofreu uma "destruição de infraestruturas deste nível", disse o ministro dos Transportes, Joel Biggie Matiza. Diante da catástrofe, o presidente Emmerson Mnangagwa retornou às pressas de uma viagem aos Emirados Árabes Unidos. "A cada hora que passa, nossos piores medos se confirmam", declarou em uma intervenção à emissora pública ZBC. "Muitos morreram afogaram, enquanto outros foram mortos durante o sono por pedras que demoliram suas casas", acrescentou.

Os socorristas se concentravam nesta segunda-feira na cidade de Chimanimani (leste), onde uma escola foi parcialmente destruída por um deslizamento de terra que deixou pelo menos três mortos. A Associação Médica do Zimbábue (Zima) lançou uma convocação de voluntários para ajudar as vítimas e pediu doações de alimentos, água, gás, roupas, cobertores e barracas. As fortes chuvas registradas antes da chegada do ciclone já haviam deixado pelo menos 122 mortos em Moçambique e no Malaui, que não sofreu os estragos do ciclone.