Geração de rebeldes da Revolução Cubana deixa legislativo pela primeira vez
capa

Geração de rebeldes da Revolução Cubana deixa legislativo pela primeira vez

Esteban Lazo, de 75 anos, é o novo líder do Conselho do Estado

Por
AFP

Esteban Lazo, de 75 anos, é o novo líder do Conselho do Estado

publicidade

A geração de rebeldes da Revolução Cubana, de 1959, não estará mais representada no Conselho de Estado de Cuba, a principal entidade legislativa do país, após uma reforma política. Integrantes da Assembleia Nacional indicaram Esteban Lazo, de 75 anos, para ser o novo líder do Conselho de Estado. O órgão é responsável por fiscalizar a aprovação de leis e é supervisionado pelo presidente. Lazo também vai dirigir a Assembleia Nacional. Integrantes da Assembleia Nacional formalizaram, de forma unânime, a permanência de Miguel Diaz-Canel, de 59 anos, como presidente de Cuba, cargo criado oficialmente em um referendo constitucional em fevereiro deste ano.

Até então, Diaz-Canel, sucessor de Raul Castro e Fidel Castro, também dirigia o Conselho de Estado. Nos próximos meses, Diaz-Canel vai nomear um primeiro-ministro, que comandará o dia a dia do governo. No papel, as mudanças dividem o poder que já foi de Fidel e Raul Castro, que simultaneamente ocuparam todos os principais cargos do país. Uma das intenções da reforma é transferir o controle do governo a novas gerações, após décadas de dominação dos rebeldes que combateram ao lado de Castro, vitoriosos na Revolução Cubana de 1959.

A reforma diminui o Conselho de Estado de 31 para 21 membros, com quatro novos nomes incluídos na quinta-feira. Com isso, 14 integrantes perderam seus assentos, entre eles os ex-rebeldes Ramiro Valdes, de 87 anos, e Guillermo Garcia, de 91. Outros membros perderam seus assentos, mas mantiveram outras posições de poder, como o ministro da Defesa, Leopoldo Cintra Frias, 78. Em pronunciamento na Assembleia, Diaz-Canel disse que Cuba estava enfrentando falta de energia causada por novas sanções impostas pelo governo americano.

Segundo o cubano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quer forçar o país a retirar o apoio ao presidente da Venezuela, Nicolas Maduro. "Se houve algo de bom nesses dias tensos, é que eles revelaram a tremenda capacidade cubana de trabalhar de forma mais eficiente", disse. "Quanto mais ele nos atacam e nos intimidam, maior são nossa vontade, nossa força nacional, nossa unidade." Ainda não está claro se as mudanças vão realmente afetar as estruturas de poder de Cuba, um Estado de partido único, cujos processos de decisão continuam pouco transparentes.

Raul Castro seguirá como chefe do Partido Comunista, a autoridade definitiva da ilha. As Forças Armadas e os serviços de inteligência ainda mantêm profunda influência em quase todos os segmentos do Estado.